Um tapinha não dói

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Talvez o maior dilema que uma mãe possa ter é como educar os filhos. Qual a medida entre ter filhos educados X indisciplinados; mimados X justos; criativos X passivos; domesticados X felizes.

O que vale na tentativa diária e constante de ter filhos educados? Uma bronca? Um grito? Um castigo? Perder um brinquedo? Um tapinha na mão? Uma palmada no bumbum? Uma surra de cinta? Uma coça bem dada?

Na maioria dos assuntos, as mães, se acham as Rainhas do bom-senso. Como se sempre estivessem dentro da “curva da normalidade”. Pode dar Danoninho? Para algumas pode aos 4 meses, para outras aos 18 anos. Mas se você conversar com ambas, elas terão argumentos contra e a favor a postura adotada e acharão a outra mãe uma sem noção.

O mesmo acontece com a educação. Cada uma tem para si um limiar baseado no tal bom senso que justifica a punição.

E os argumentos nem sempre são muito fundamentados: “meus filhos sempre ~ INSIRA QUALQUER COISA AQUI ~ e nunca morreram.”.

Vamos focar no assunto de hoje: o tapinha educativo.

bater nos filhos

Se voltarmos na história recente, o “bom senso” diria que uma mulher que tenha queimado o feijão mereceria um “tapinha educativo” do marido. Hoje isso nos parece muito inadequado e distante…

Quando você bate numa criança para educa-la, manda uma mensagem para ela: Quando você for contrariada, pode usar a força física para resolver.

O que me parece bastante incoerente uma vez que se uma criança bate na outra, ou se um irmão bate no outro, imediatamente a mesma mãe diz: não pode bater! Se não, eu vou… te bater. (Oi?).

Além disso, ou pior que isso, você perde a oportunidade de ensinar os seus filhos a ganhar uma disputa argumentando, debatendo, contrapondo. Competências que lhe serão muito úteis quando estiver trabalhando, por exemplo. Ou alguém imagina seu filhinho batendo ou apanhando em uma reunião com o CEO de uma empresa?

Claro, que a Lei que protege as mulheres de violência física não impediu que muitas continuassem apanhando. Claro, que existem formas de violência não-física muito mais terríveis que uma mera palmada, como a desqualificação, a humilhação e a negligência. Claro, que existem excelentes mães que adotam o tapinha e são infinitamente melhores mães do que outras que nunca bateram. Claro, que tapinhas não necessariamente traumatizam crianças. Claro, que muitas vezes, no meio do furacão, sua mão já sem controle simplesmente dá um tapa (e depois você se sente a pior das humanas). Claro, que educar crianças não é fácil.

Para finalizar, se existisse um tapinha realmente educativo, que tal então se permitíssemos os professores e babás adota-los? Ué, mas se são educativos, por que não?

Um tapinha não dói. Mas também não educa.

Sim, eu apanhei e não morri. Sim eu era terrível. Não, não foram os tapas que recebi que me fizeram ser uma pessoa melhor. Não, não tenho traumas com isso. Sim, tenho filhos. Dois. Nunca bati, nunca vou bater. Sim, são extremamente educados e felizes. Sim, eles dão piti.

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