Não existe Família Perfeita

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O que seria de nós com famílias perfeitas, estilo propaganda de margarina!? Pois é, sou terapeuta de família e casal, e posso garantir que a minha família não é perfeita. E tem mais, terapeutas auxiliam os outros a enxergarem melhor, mas nem sempre sabem desatar seus meus próprios nós familiares…somos normais. Posso garantir que aprendo com cada família, todas me causam reflexão. E esse é o meu convite para quem está lendo esse texto. Vamos pensar juntos em nossas famílias?

Você já parou para pensar que temos uma família de origem e uma família atual? Já fizeram esse exercício? Pois é, amamos pai, mãe & cia, mas eles fazem parte da nossa família de origem – nosso núcleo inicial de formação. Nossa família atual constitui um outro núcleo, que apesar de interagir com nossa família de origem, eu diria que é bem diferente, ou melhor, é bom que seja! Afinal de contas, nos unimos a uma outra pessoa, que também traz na sua bagagem a sua família de origem. É fácil perceber que não será saudável reproduzir a minha família de origem, ou vice-versa, casar com alguém que quer reproduzir o padrão da sua família de origem.

Também ousaria dizer que esse encontro de famílias (de origem) se dá a cada dia dentro da sua casa, quer você goste ou não. Sendo assim, talvez seja um tanto complicado resolver competir, para saber quais as melhores heranças familiares (estou falando de valores e hábitos de convívio herdados). Agora, imagine que saudável pode ser, refletir sobre quais heranças a NOSSA família atual deseja ficar, para que ela possa ter seu formato próprio de convivência, respeito e afeto.

Simples? Na maioria das vezes não. Esse texto é para estimular uma rápida reflexão, e sendo assim, vou ser bem direta e franca – estamos prontos para o mundo da fusão, interação e mediação!? O primeiro passo pode ser entender de onde viemos, e com quem aprendemos a ser o que somos. Sim, temos nossas referências familiares, assim como outras referências ao longa da vida. E casamos com alguém que também tem suas referências, padrões, formatos e formas de convivência e comunicação.

Família é fundamental, e a arte do cuidado pode passar por observar melhor como essa fusão, interação ou integração acontece. E o que podemos fazer para torná-la uma equação matemática menos complexa. Talvez o caminho seja investir num diálogo franco e respeitoso, com uma comunicação mediadora, que não julgue as heranças do parceiro(a) ou crie um cabo de guerra entre as famílias de origem. Vamos tentar (juntos) entender com quais referências históricas vamos ficar na nossa família atual?

Hummmm, mas já vou adiantando, nem sempre dá para ser criativo, e eu sempre brinco: na maioria das vezes: ou fazemos o MODELO, ou fazemos o CONTRA MODELO de nossas famílias de origem. É claro que estou sendo simplista, mas quero explicar que fazemos escolhas, existem heranças que não queremos de jeito nenhum, mas também existem algumas outras heranças que adequamos para nossa família atual. Vou me dar como exemplo, dentro de uma comunicação cotidiana. Apesar de achar que meus pais eram bastante rígidos na minha educação, eu hoje me vejo usando duas frases deles, com minhas filhas adolescentes: “O trabalho de vocês é estudar! Não me venha com nota baixa!”  E também digo, ao deixar elas numa festa: “Juízo!!” Pois é, herdei e não inovei. Mas com certeza alterei muitas outras frases e exigências, e me sinto melhor assim, a melhor mãe que eu consigo ser. E com certeza mais próxima, criando com maior diálogo e com uma comunicação mais aberta.

E você, quais as frases que repete? Quais as fases que alterou? O que você faz totalmente diferente? E seu parceiro(a), de onde veio? E pra onde vai em seus padrões de convivência?

 

Mônica Zagallo Camargo | Terapeuta Familiar

E-mail: monicazagallocamargo@gmail.com

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