7 Dicas de Musicais para os Filhos

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Sou apaixonada por musicais desde muito pequena. Ao contrário dos que consideram o cúmulo da breguice, e que acham absurdo alguém que está conversando normalmente de repente saia cantarolando, sempre achei incrível a idéia de poder manifestar sentimentos em canções lindas. Musicais tornaram minha infância mais lúdica e alegre, e até hoje as canções me trazem memórias afetivas relevantes. Além disso, as mensagens contidas nessas canções e histórias, explícitas ou ocultas, sempre podem ser essenciais para o adulto mais amargurado lembrar do que realmente importa.

Por isso, trago a vocês algumas sugestões de musicais para curtir e ouvir ao lado dos filhos e que trazem a possibilidade de transmitir alguns ensinamentos e lições que podem ser educativas a qualquer momento da vida. Também tento apontar algumas das minhas músicas favoritas… missão quase impossível pra essa fanática aqui.

 

 

1. Mary Poppins

O filme de 1964 da Disney é um grande favorito da minha infância. Assistia direto e adorava cantar as musicas e tentar falar “supercalifragilisticexpialidocious”. Divertido, colorido e lúdico, cheio de lições importantes que a feiticeira Mary Poppins passava ao workaholic George Banks e seus filhos Jane e Michael, ajudada pelo simpático faz-tudo Bert. Se você nunca assistiu, estou quase a ponto de dizer que você não teve infância (mas seria muita pretensão da minha parte), então digo apenas “é pra ONTEM, miga”.

O que ensina: que rir nos faz flutuar, que um pouco de doçura faz as coisas difíceis se tornarem mais aceitáveis, que o trabalho é importante mas que a família é mais, que você não pode coibir o instinto de caridade dos seus filhos, que a imaginação faz um bem danado e que você teria adorado morar numa casa com chaminé.

Músicas destaque: A Spoonful of Sugar; Chim Chim Che-ree (vencedora do Oscar); Feed The Birds (uma das favoritas de Walt Disney); Supercalifragilisticexpialidocious (porque eu sei cantar rápido e escrever duas vezes nesse texto não foi suficiente. E porque é uma graça)

 

 

2. A Noviça Rebelde

Outro da série “se você não viu, não teve infância”, também traz Julie Andrews como protagonista e é considerado um dos filmes mais amados de todos os tempos. A história da freira designada para cuidar dos sete filhos de um aposentado capitão da marinha austríaca conquistou pessoas no mundo todo. O musical originalmente estreou na Broadway e foi adaptado para as telas em 1965, com algumas alterações de roteiro e novas canções.

 

O que ensina: que é importante estar emocionalmente próximo dos filhos, que a rigidez excessiva nem sempre faz bem, que você precisa seguir seus sonhos e seu coração, que cortinas são boas opções de tecido para roupas de brincar e que nazismo é uma m…..

Musicas destaque: Do-Ré-Mi, que ensinou notas musicais para crianças de qualquer lugar do planeta; The Sound of Music, nome original do filme e tocada na icônica abertura filmada nas montanhas de Salzburg; Edelweiss, sobre a florzinha símbolo da Austria que cresce na neve – ou na adversidade.

 

 

3. Annie

 

A história da menina que vive num orfanato com outras meninas sob os “cuidados” da terrível Sra. Hannigan e acaba sendo escolhida para passar uma semana de princesa na casa do milionário Oliver Warbucks também é produto da Broadway e ganhou algumas adaptações cinematográficas, sendo a de 1982 com Albert Finney e Aileen Quinn a mais famosa.

O que ensina: que mesmo depois de um dia difícil, o amanhã está logo aí, com a perspectiva de que algo melhor está por vir; que suas boas ações podem vir a ser recompensadas; que a vida dos órfãos é difícil e que orfanatos devem ser geridos por pessoas generosas e bem-intencionadas.

Musicas destaque: tem que ser Tomorrow, obviamente. Considerada por muitos o auge da cafonice, pra mim é um hino ao bem estar. Desafio qualquer um a não se sentir melhor só de imaginar que amanha está por vir e que com ele seus problemas vão parecer bem menores. Vamos lá, não tenham vergonha! To-MÓ-rrow, To-MÓ-rrow! I love you, tomorrow! You’re only a day AAAAA-WAAAAAAAAY!!!!!!!!!

 

 

4. My Fair Lady

 

 Outro amiguinho meu de infância, esse musical conta a história de Eliza Doolittle, uma moça simples e ignorante que vende flores nas ruas de Londres e que aborda um renomado (e arrogante) professor de lingüística para que ele a ensine a falar e se portar como uma dama. Desafiado pela aposta com um amigo, o Professor Higgins leva Eliza como hóspede em sua casa. Assim como em muitos casos, esta é mais uma adaptação cinematográfica de um musical dos palcos da Broadway. A grande curiosidade aqui é que Eliza e Higgins eram interpretados nos palcos por Julie Andrews e Rex Harrison. Harrison foi convidado a reprisar o papel no filme, mas Julie, considerada “não fotogênica” pelos produtores do filme, foi substituída por Audrey Hepburn (que precisou ser dublada nas canções, o que não teria ocorrido com Julie). No fim, chamada para fazer Mary Poppins no mesmo ano, Julie levou o Oscar.   

      

O que ensina: duas grandes lições, em duas grandes falas: “A diferença entre uma florista e uma dama não está em como ela se comporta, e sim como em como ela é tratada.” E “a questão não é tratar alguém pior, ou melhor do que outra pessoa, mas sim ter as mesmas maneiras com todos os seres humanos”.

Musicas de destaque: I Could Have Danced All Night, The Street Where You Live, Get Me To The Church On Time, I’ve Grown Accustomed To Her Face.

 

 

5. School of Rock

 

School of Rock é um achado. Pra quem não sabe, o filme estrelado por Jack Black não é um musical. Ele foi transformado em musical para estrear na Broadway com as canções de ninguém mais ninguém menos do que Andrew Lloyd Webber, compositor responsável por jóias como Fantasma da Opera, Cats, Evita, etc. e tornou-se um dos maiores hits em Nova York. Se você não tem a possibilidade de fazer essa viagem, recomendo ver o filme pra entender a história e depois baixar as músicas do musical mesmo da Broadway, que traz o incrível Alex Brightman no papel principal e as crianças tocando os instrumentos.

O que ensina: a respeitar as diferenças e potencialidades de cada um, a prestar atenção nas demandas muitas vezes válidas dos nossos filhos. Tentem só passar uma camada de verniz no fato de que Dewey tenta se passar pelo irmão pra dar inicio à trama.

Musicas de destaque: School of Rock, naturalmente, mas Stick it To The Man é uma pequena pérola para aqueles momentos em que devemos nos permitir (e permitir às crianças) mandar tudo às favas.

 

 

6. Shrek

 

Preciso fazer uma pequena confissão aqui: nunca fui muito fã de Shrek (o filme). Achava o conceito interessante e curti o filme de modo geral, mas nada além disso. Conta a história do ogro (Shrek) que vive sozinho num pântano e tem sua tranqüilidade perturbada quando criaturas de contos de fadas invadem seu lar, após serem expulsas do reino de Duloc por Lord Farquaad, que as considera “aberrações”. Para recuperar seu pântano, Shrek aceita relutantemente a ajuda do Burro, e é enviado por Farquaad para resgatar a princesa Fiona de uma torre guardada por um Dragão. Talvez por não amar de paixão o filme, jamais me interessei muito em ouvir as canções quando soube que a historia havia sido transformada em musical para a Broadway, com musicas compostas por uma mulher, Jeanine Tesori. Porém, quando o teatro do clube que freqüento abriu audições justamente para Shrek e fui selecionada para participar, corri pra me inteirar e aprender todas as músicas. Fiquei agradavelmente surpresa, especialmente com algumas das canções, cujas mensagens tocam fundo e merecem ser mais conhecidas. Sim, quem me conhece vai dizer que sou suspeita pra falar porque fazer parte desse musical foi uma das experiências mais incríveis da minha vida. Só que justamente por isso, se conhecê-lo melhor mudou meu conceito da obra toda, pode acontecer com qualquer um.

O que ensina: a aceitar as diferenças, a assumir nossas “estranhezas”, a não desistir dos nossos sonhos e desejos só por não nos encaixarmos num padrão, e que se uma criança soltar um pum, “melhor pra fora do que pra dentro”.

Músicas de destaque: Who I’d Be, uma linda ode aos sonhos do ogro, que acha que não pode realizá-los devido a sua aparência e Freak Flag, o grito de guerra das Criaturas, que passam a se aceitar como são, com orgulho.

 

 

7. Musicais da Disney

 

Você deve estar pensando que cômodo deve ser fazer essa categoria genérica, que basicamente engloba todo e qualquer filme que a Disney já tenha feito com músicas. Porém, defendo essa escolha de forma simples: cada um tem seu preferido. Cada um tem sua mensagem, seu apelo, e os personagens e canções que tocam individualmente. Se puder destacar meus favoritos, gosto muito de A Bela e a Fera, A Pequena Sereia, Aladdin e Moana. E aproveito para cutucar um pouquinho as feministas mais exacerbadas. Sou pró-princesa sim. Acho que o verdadeiro feminismo é permitir que a mulher seja o que bem entender; astronauta, cientista, piloto de avião, mulher-maravilha E princesa. Ela tem direito de sonhar com um príncipe sim, sem se sentir culpada e sem que outros façam ela se sentir mal. Pronto falei.

O que ensina: tudo, gente. Escolham dependendo da necessidade do momento. Rei Leão ensina a assumir responsabilidades, Bela nos mostra que há mais por trás das aparências, Aladdin também de certa forma. A Pequena Sereia mostra que para realizar um sonho, acontece de fazermos escolhas erradas e tomar na cabeça. Frozen disseca o amor fraternal, Dumbo o maternal, Mulan trata da mulher que precisa assumir o papel reservado aos homens. Podia ficar até amanha nessas análises.

Músicas de destaque: aqui vou permitir que meu gosto pessoal norteie as opções, que vão do divertido ao profundo: Beauty and The Beast, da Bela e a Fera; Circle of Life, do Rei Leão; Under The Sea, da Pequena Sereia; How Far I’ll Go, de Moana; I Have a Dream, de Enrolados; A Dream is a Wish Your Heart Makes, de Cinderella; e Let it Go, de Frozen, porque se eu não colocar essa aqui, vou ser congelada por alguma criançca revoltada.      

P.S. Obviamente, estas são apenas sugestões de alguns musicais dentre centenas que existem por aí. Já estou imaginando algumas mães que vão ler esse texto e dizer “mas como ela OUSA deixar de fora Wicked, ou Mágico de Oz, etc.” São muitos mesmo, e quem sabe começando com um, abre-se as portas para todos eles. E como pais e mães (e filhos maiores) também têm o direito de apreciar um bom musical, recomendo Les Misérables, Fantasma da Ópera e Violinista no Telhado pra começar com o filé.

E se alguma de vocês sentir o ímpeto de sair cantarolando por aí durante um diálogo normal… vou saber que leu meu texto.  

 

Claudia Hemsi Leventhal

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