Como estimular a inteligência socioemocional do seu filho

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Você estimula e investe no desenvolvimento socioemocional do seu filho? Costumamos escutar e nos deparar com muitas matérias sobre como nossos filhos podem ter desenvolvimento orgânico saudável e desempenho acadêmico, mas pouco encontramos sobre a importância de como auxilia-los a construir competências e habilidades sócioemocionais para a vida. Nós, adultos sabemos que os obstáculos, frustrações, e dificuldades são inerentes a vida e que vamos encontrá-las em nossa frente a todo momento em nosso caminho.

A infância é um período crucial para o desenvolvimento físico e sócioemocional, e é quando devemos investir para que nossas crianças construam uma positiva autoimagem e autoconfiança, estratégias para resolver problemas e para se comunicar assertivamente, aprendam a reconhecer e discriminar emoções, a ter empatia, foco e persistência, tolerância, resiliência, controle dos impulsos, podendo prevenir transtornos psicológicos futuros, advindos de inabilidades psicossociais.

Por que prevenir? Segundo a Organização Mundial de Saúde, em 2020, a Depressão será a segunda doença que mais afastará do trabalho, pelo seu potencial incapacitante. Também podemos destacar os números alarmantes de crianças e adultos com transtornos de ansiedade, dificuldades de relacionamento social expressivo, problemas psicossomáticos, claro, que é uma construção, e que cada criança precisará que exemplos e ensinamentos sejam repetidos conforme sua necessidade individual de desenvolvimento e a linguagem também deve ser adequada para cada idade.

De acordo com Rodrigues (2013) faz parte da educação emocional ter consciência de seus estados emocionais e ter recursos para geri-los. Então, falaremos agora sobre algumas habilidades sócioemocionais citadas acima e como podemos ajudar nossos filhos a desenvolve-las no dia a dia.

Tomada de decisão com responsabilidade, persistência, resiliência:

  • Estimule a criança a se responsabilizar pelos seus atos e coisas desde cedo de acordo com a linguagem e exigência própria para idade dela, peça ajuda em casa quando ela for podendo ajudar;
  • Não faça por ela o que é esperado para sua idade, mostre que esta ao seu lado para dar suporte caso ela precise – oriente, supervisione e de suporte (assim a criança se sente capaz e aprende a lidar com suas frustrações);
  • Mostre que nossas escolhas tem consequências, fale e demonstre claramente exemplos cotidianos e acontecimentos que façam sentido para a idade;
  • Elogie suas atitudes de responsabilidade e persistência, descrevendo claramente o porquê do elogio – foque no esforço (cuidado ao elogiar sua inteligência, ou com elogio gerais e vagos, a criança precisa entender o que foi capaz de fazer e saber em terá facilidades e dificuldades como todo mundo);

Autoconhecimento

  • Estimule a criança a identificar suas emoções/sentimentos e a nomeá-las (mostrando que todos sentimos raiva, tristeza, medo, alegria, etc);
  • Estimule a criança a lembrar o que estava pensando quando se sentiu de tal forma e teve tal comportamento;
  • Incentive o reconhecimento de facilidades e dificuldades;
  • Normalize as emoções, dizendo que todos sentimos e de suporte para seu reconhecimento e como lidar com elas;
  • Ensine seu filho a se acalmar quando necessário, fazendo a respiração abdominal (ela pode ser muito útil em momentos de perda de foco, raiva, medo e estresse);
  • Cuidado com julgamentos de emoções, por exemplo: desvalorizar sentimentos como medo, dizendo que quem tem medo de monstro é bebezinho/ quem chora é bobão (valide a emoção e converse sobre ela)

Autocontrole

  • Ensine a criança a se acalmar, se distrair em situações de medo, raiva (hoje temos aplicativos, livros e historias que ajudam a aprender a se acalmar);
  • Não estimule a criança a se defender com violência física ou verbal (agressividade e controle de impulsos) – incentive a ele resolver o problema de forma justa e segura (cuidado mais uma vez com os julgamentos – se você não bater no seu amigo que te bateu, é porque você é um frangote)
  • Elogie quando a criança consegue se acalmar e focar na resolução do problema – reforce positivamente seu autocontrole e comportamento
  • Questione a criança de como ela pode resolver uma situação que a incomoda e se ela não der ideiais, sugira a criança o que fazer quando algum amigo ou situação a tirar do seu controle – por exemplo: fale com a professora, converse com seu amigo, etc – não sugerir que revide agressões e comportamentos violentos;
  • Ajude seu filho a criar estratégias para controlar comportamentos não adequados e impulsivos (jogos podem ajudar)

 Sociabilidade e Competências de Relacionamento

  • Incentive a convivência com amigos, diferentes amigos e estimule a criança a compreender as diferenças de cada um
  • Estimule a fazer novas amizades e se comunicar assertivamente
  • Incentive e tenha atitudes solidarias e de compaixão
  • Ensine a criança a descrever como se sente e o problema sem julgamento (por exemplo: meu amigo tirou meu lápis e eu fiquei irritado, o que é diferente de meu amigo roubou meu lápis, ele é um…)
  • Quando elogiar ou criticar a criança fale do comportamento, atitude e ou situação, não generalize dizendo que ela
  • Ensine a criança a prestar atenção quando outra pessoa fala com ela e ouvir atentamente
  • Estimule a criança a se colocar no lugar do outro, entender outras perspectivas e opiniões e respeita-lo, desenvolvendo a empatia

Se quiser conhecer melhor as relações das habilidades socioemocionais com desempenho acadêmico, acesse esse link.

 

Daniella Didio Calderon | Psicologa, psicopedagoga e professora de pós graduação 

E-mail: danididio@gmail.com

 

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