Pessach – A Festa da Libertação

-

A próxima festa judaica que se aproxima em nosso calendário é Pessach, também conhecida como a “Festa da Libertação” onde é celebrada a fuga do povo judeu, que vivia como escravo no Egito. A palavra Pessach na língua hebraica significa passar além, tanto no sentido concreto como simbólico da palavra.

A preparação para a festa se inicia alguns dias antes onde é realizada uma faxina na casa para remoção de todos os alimentos fermentados chamados  de “chametz”.  Esses mantimentos podem ser colocados e trancados em um armário da casa que não poderá ser aberto durante a semana de Pessach ou podem ser doados também.

A festa de Pessach é uma celebração familiar, onde nas primeiras duas noites – mas somente uma noite em Israel – é realizado um jantar especial chamado de Seder (significa ordem na língua hebraica). Nesta ocasião a história de Moysés e a saída do Egito são narradas, de forma muito lúdica com a ajuda do livro conhecido como Hagadá para as crianças participarem ativamente dessa noite além de rezas e canções judaicas. O livro contém 15 “capítulos” que incluem diversos ensinamentos que são representados por alguns objetos simbólicos que devem estar expostos na mesa para serem utilizados como o prato especial colocado no centro da mesa chamado Keará que é dividido em seis partes onde em cada uma é colocado um alimento diferente com simbologia para lembrar a história.

Se não podemos comer alimentos fermentados, o que substituirá o pão durante essa semana? Outro nome de Pessach é Festa da Matzá conhecido como pão ázimo.  Quando Moysés volta para o Egito e pede para Faraó libertar os judeus, ele se recusa e Deus envia as 10 pragas. Após a última praga, Morte dos Primogênitos, na qual os judeus se salvaram porque marcaram o batente da porta de entrada de suas casas com sangue do carneiro, originou-se a Mezuzá, outro símbolo judaico. O filho primogênito do Faraó faleceu, ele não aguentou a dor e a pressão de Moysés e libertou o povo. Preocupados com a possível desistência desta decisão, fugiram o mais rápido possível naquela noite e assim não deu tempo do pão ficar pronto com todo seu processo de fermentação. Durante o Seder comemos muitos pedaços de matzá e até é realizada uma brincadeira que é a procura do Afikoman, após o jantar algum adulto esconde um pedaço de matzá embrulhado no guardanapo e as crianças devem procurar e após achá-lo , este pedaço deve ser dividido por todos participantes do Seder e ser a última coisa a ser degustada para irmos embora com o gosto de matzá em nossa boca.

Uma das passagens mais bonitas do livro Hagadá, em minha opinião, menciona assim: “Be chol dor va dor chaiav adam lirót et atzmó keilu hu iatzá miMitzraim”“A cada geração devemos sentir como se nós mesmos tivéssemos saído do Egito”. Nesta noite especial e diferente de todas as outras, cada pessoa deve se sentir como se ela estivesse saindo daquele lugar. Recordamos a história de nossos patriarcas e contamos a passagem do povo judeu ao Egito, lembrando seu sofrimento e perseguição. Nós testemunhamos um enorme milagre de Deus ao separar as águas em duas paredes, permitindo que os judeus passassem, e depois voltassem ao seu curso normal impedindo os soldados egípcios de capturar novamente o povo judeu.

Assim conforme iremos comer alimentos amargos na primeira noite de Pessach, sentiremos como a aflição e pobreza do povo judeu naquela época, torna-se uma realidade nos dias atuais. Nesta época falamos uns aos outros “Pessach Kasher ve Sameach”  que seja um período sem alimentos fermentados , a história marcada como uma lembrança forte e que judeus tenham a liberdade  de ir e vir, ter suas opiniões e escolhas no mundo atual sem guerras, perseguições e atos terroristas.

Daniela Jarczun Fridman | Pedagoga, Psicopedagoga, Professora de Educação Infantil e Ensino Fundamental 1, Professora particular de Português, Inglês e Hebraico, mãe do Ariel e Ilan.

E-mail: danijfridman@gmail.com

Compartilhe esse texto