Série sobre Drogas – Álcool

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O etanol, substâncias depressoras do sistema nervoso central, é o álcool presente nas bebidas consumidas no mundo todo; segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS,2014), mata cerca de 2,5 milhões de pessoas ao ano, sendo a droga legal mais consumida pelos jovens.

Uma pesquisa feita entre escolares brasileiros em 2012 (jovens entre 13 e 15 anos) revelou que 66% já havia experimentado álcool, sendo a idade da primeira dose entre 12 e 13 anos. Dos adolescentes participantes do estudo, 26% havia consumido bebida alcoólica nos últimos 30 dias; os acessos mais fáceis seriam através das festas, bares e mercados, com amigos, e dentro da própria casa.
Segundo o centro de informações sobre saúde e álcool (CISA), não há consenso internacional para o que seria uma dose padrão: entre 8 e 14 gramas de etanol. A OMS estabelece uma dose igual  a 10 a 12 g de etanol – o que seria 330ml de cerveja, 100ml de vinho ou 30ml de destilado, por exemplo.

Em geral, o consumo de álcool pelo jovem é mais episódico e mais abusivo do que o consumo do adulto. Esse uso episódico pesado é também conhecido como “binge drinking” – em mulheres, isso seria mais de 4 doses por episódio; em homens, mais de 5 doses. A OMS considera uso moderado em homens a quantidade de 15 doses semanais (não ultrapassando três doses diárias), e em mulheres, 10 doses semanais (não ultrapassando duas doses diárias): mais do que isso, o indivíduo é considerado como usuário pesado de álcool.

No início do consumo,o álcool traz sensação de prazer, desinibição e relaxamento. Após 1 hora, há diminuição de coordenação motora, equilíbrio, dificuldade na fala, prejuízo na tomada de decisões racionais e registro de novos momentos. Esses últimos sintomas podem evoluir com taquicardia, pressão baixa, diminuição do estado de consciência, incluindo coma. Algumas mortes infelizmente são causadas por engasgos com o próprio vômito.

A absorção é feita no sistema gastrointestinal  e leva entre 30 a 90 minutos para ter sua concentração máxima no sangue – dependendo da quantidade e da velocidade de consumo. O metabolismo é lentamente realizado no fígado, e o álcool circula no corpo todo enquanto esse processo não é finalizado. Além de danos à saúde, o álcool pode estimular e facilitar o consumo de outras drogas, o comportamento sexual de risco,  a violência e predispor acidentes, atitudes criminosas, entre outros. Dentre os prejuízos à saúde, podemos citar o aumento da chances de hipertensão, doenças cardiovasculares, doenças do fígado (hepatite, cirrose), pancreatite, gastrite, esofagite, infecções crônicas e câncer ( boca, esôfago, fígado, mama, etc.); pode desencadear depressao, ansiedade, distúrbios alimentares e do sono.

Devemos lembrar que o abuso de álcool tem influências genéticas, do ambiente (exposição pré-natal, padrão de consumo familiar e dos amigos), da personalidade do indivíduo  e de suas desordens prévias ( impulsividade, necessidade de impressionar, uso da bebida para “criar coragem”, transtornos do humor e outros). O sintomas de abstinência ocorrem entre 4 a 72 horas após a última dose, com pico em 48 horas e duração de até cinco dias; variam entre tremores, alucinações, convulsões e até morte.

Bianca Rodrigues de Godoy Lundberg | Médica de Adolescentes. Faz acompanhamento de rotina dos jovens de 10 a 20 anos de idade em consultório na Vila Clementino, zona Sul de São Paulo, há cinco anos.

Mais informações em www.biancalundberg.com

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