7 dicas – Cuidados com as doenças respiratórias

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As doenças respiratórias são muito frequentes e acometem muitas crianças, de diferentes idades. A seguir descrevo as mais comuns e suas características.

1. ASMA

A asma é a doença crônica mais comum na infância, caracterizada pela inflamação crônica das vias aéreas, que resulta em sintomas respiratórios como sibilância (chiado), respiração rápida e curta, aperto no peito e tosse que variam com o tempo e a intensidade.

Em geral, a asma inicia-se nos primeiros anos de vida, e pode ser confundida com outras doenças que apresentam os mesmos sintomas, causando demora no inicio de tratamento adequado, dessa forma ela pode ser definida pela presença de três episódios de sibilância em 1 ano.

Na mucosa respiratória saudável, existem microorganismos específicos dessa região. O desenvolvimento dos microorganismos das vias aéreas ocorre muito cedo na vida e, mais tarde, de alguma forma pode ser influenciado pelo meio ambiente, estado de saúde e idade, que podem desencadear os episódios de sibilância. Nessa fase da vida é importante identificar os principais agentes desencadeantes desses episódios.

O parto vaginal, o aleitamento materno, as exposições ambientais durante as primeiras horas de vida e o ambiente em que vive a criança em torno dos primeiros 100 dias parecem definir a formação e desenvolvimento normal desses microorganismos do trato respiratório, que garantem condições de saúde respiratória ao longo da vida, por outro lado, o uso precoce de antibióticos na infância, pode interferir nesse desenvolvimento normal. A exacerbação da asma associada a infecções virais é mais frequente durante a idade pré-escolar e escolar.

O diagnóstico de sibilância recorrente e asma no lactente e no pré-escolar são essencialmente clínicos, e a presença de sibilância, tosse, desconforto respiratório e despertares noturnos de natureza contínua ou recorrente, são os achados principais. Essas características ou manifestações podem ocorrer em crises leves, moderadas e graves e se manifestarem de maneira intermitente ou persistente. E o tratamento vai depender do grau das manifestações clinicas.

 

2. BRONQUIOLITE

Trata-se de uma infecção viral, que acomete a parte mais delicada do pulmão dos bebês (os bronquíolos). Essas estruturas do organismo são a continuidade dos brônquios, que distribuem o ar para dentro dos pulmões.

A bronquiolite aguda é, na maior parte das vezes, causada pelos vírus respiratórios. O principal deles o Vírus Sincicial Respiratório. Outros vírus também podem causar este quadro como: adenovírus, vírus parainfluenza, vírus influenza, rinovírus entre outros.

Como é uma doença causada por vírus respiratórios, o quadro se inicia como um resfriado, com obstrução nasal, coriza clara, tosse, febre, recusa das mamadas e irritabilidade de intensidade variável.  Em um ou dois dias o quadro evolui para tosse mais intensa, dificuldade para respirar, respiração rápida e sibilância (chiado/chio de peito).

Por vezes, podem haver sinais e sintomas mais graves, como sonolência, gemência, cianose (arroxeamento dos lábios e extremidades) e pausas respiratórias.

As crianças mais novas (menores de um ano); os prematuros; os portadores de doenças cardíacas ou de doença pulmonar crônica (broncodisplasia); os imunodeficientes; os bebês que nascem com baixo peso estão no grupo daqueles que possuem maior risco de desenvolver quadros de bronquiolite mais graves, que necessitam de internação, por vezes em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Não existe nenhum tratamento específico para bronquiolite. Na maioria dos casos, especialmente das crianças sem fatores de risco, a evolução do quadro é benigna, sem necessidade de uso de medicamentos, evoluindo para cura.

É recomendável evitar o contato com crianças e adultos resfriados, lavar as mãos e higienizá-las com álcool 70%, principalmente antes de tocar os bebês. Também se sugere fugir de aglomerações, promover a amamentação e evitar o tabagismo passivo. Finalmente, deve-se buscar o acompanhamento pediátrico para monitorar o crescimento, a introdução adequada da alimentação e o cumprimento do calendário de vacinação.

 

3. RESFRIADO

O resfriado comum (infecção respiratória superior viral) é a doença infecciosa pediátrica mais comum, e sua incidência é maior na primeira infância do que em qualquer período da vida. Crianças menores de 5 anos geralmente têm 6-12 resfriados por ano. Aproximadamente 30-40% destes são causados por rinovírus. Outros agentes incluem adenovírus, coronavírus, enterovírus, virus influenza e parainfluenza e o vírus sincicial respiratório.

O paciente geralmente apresenta um início repentino de rinorreia (nariz escorrendo) clara ou mucoide, congestão nasal, espirros e dor de garganta. Pode haver tosse ou febre. Embora a febre não seja uma característica importante em crianças mais velhas e em adultos, ela pode chegar a 40,6°C nos primeiros 5 ou 6 anos de vida sem superinfecção.

O nariz, a garganta e os tímpanos podem estar vermelhos e inflamados. A duração média dos sintomas é de mais ou menos uma semana. As secreções nasais tendem a ficar mais espessas e mais purulentas após o segundo dia de infecção devido à descamação de células epiteliais do nariz. Não se deve presumir que essa coloração seja um sinal de rinossinusite bacteriana, a menos que persista por mais de 10-14 dias, quando o paciente já deverá apresentar melhora significativa dos sintomas. Pode ocorrer persistência de tosse leve até 2-3 semanas após o desaparecimento dos outros sintomas.

O tratamento do resfriado comum deve ser sintomático, ou seja, com medicamentos que visam melhorar os sintomas. Visto que os resfriados são infecções virais, antibióticos não curam ou reduzem sua duração. A umidificação do ar pode proporcionar alívio da congestão e da tosse. Gotas nasais de soro fisiológico e uma pera de sucção podem ser usados em um lactente ou criança incapaz de assoar o nariz.

Os dados científicos disponíveis sugerem que medicamentos para resfriado e tosse vendidos sem receita médica geralmente não são eficazes para crianças, e que essas medicações podem estar associadas a sérios efeitos adversos. Recomenda-se que essas medicações não sejam usadas em crianças com menos de 4 anos. Os anti-histamínicos não se mostraram eficazes para o alívio dos sintomas do resfriado.

4. OTITE

A Otite Média Aguda (OMA) é um dos motivos mais comuns de prescrição de antibióticos a crianças. É uma infecção aguda do espaço da orelha média (espaço oco, preenchido por ar, que vai do tímpano até o nariz) associada à inflamação e, algumas vezes, otorreia (saída de liquido da orelha), no caso de perfuração.

A tuba auditiva é uma comunicação entre a orelha média e o nariz, ela regula a pressão na orelha média e permite sua drenagem, evitando o extravasamento de líquidos da rinofaringe para o ouvido médio. As infecções virais do trato respiratório superior (resfriados), aumentam as chances de desenvolvimento de OMA, pois obstruem essa comunicação, favorecendo o extravasamento de líquidos e microorganismos a partir do nariz, causando infecção da orelha média (OMA). A tuba auditiva de lactentes e crianças jovens é mais propensa à disfunção por ser mais curta, mais flexível, mais larga e mais horizontal que nos adultos.

Crianças expostas a grandes grupos infantis apresentam mais infecções respiratórias e otite média.

A dor é o principal sintoma da OMA e o tratamento com antibiótico pode levar de 1 a 3 dias para a sua redução. Dores leves a moderadas devem ser tratadas com ibuprofeno ou paracetamol. Os analgésicos tópicos apresentam um efeito muito curto e estudos não mostram sua eficácia em crianças menores de 5 anos.

 

5. GRIPE

A gripe é causada por um vírus denominado de Influenza, que possui vários sorotipos e sofre constante mutação (mudanças estruturais). Esse vírus, que causa sintomas aproximadamente 24 horas após o contágio, é responsável por desencadear febre alta, dores musculares, dor de garganta, dor de cabeça, cansaço, tosse geralmente seca e coriza. Além disso, pode deixar os olhos vermelhos e lacrimejantes e causar diarreia e vômitos. O sintoma mais marcante, sem dúvidas, é a febre, a qual dura em média três dias. Após cessar a febre, outros sintomas podem manter-se por mais três a quatro dias.

A gripe é uma doença relativamente grave, que pode até mesmo levar à morte. Sua principal complicação é a pneumonia. Frequentemente o vírus causa epidemias e pandemias graves. Existem três tipos de vírus influenza: A, B e C.

Os vírus A e B apresentam maior importância clínica, pois são os que sofrem frequentes mutações e são responsáveis pelas epidemias sazonais e, também, por doenças respiratórias com duração de quatro a seis semanas. O vírus C raramente causa doença grave.

O vírus é transmitido a partir das secreções respiratórias, podendo também sobreviver algumas horas em diversas superfícies tocadas frequentemente, de madeira, aço e tecidos. A partir do contato com um doente ou com uma superfície contaminada, o vírus pode penetrar pelas vias respiratórias, causando lesões pulmonares, que podem ser graves e até fatais, se não tratadas a tempo.

Os vírus influenza circulam durante todo o ano, intensificando-se principalmente no período de inverno, quando as pessoas buscam se abrigar do frio em ambientes fechados, o que favorece a transmissão.

A transmissão ocorre principalmente em ambiente domiciliar, creches, escolas e em ambientes fechados ou semifechados. Estima-se que uma pessoa infectada seja capaz de transmitir o vírus para até dois contatos não imunes.

Deve-se fazer indicação de medicamentos sintomáticos, hidratação oral e repouso domiciliar, além de consultar o médico para a prescrição de antiviral.

 

6. SINUSITE

A rinossinusite bacteriana aguda (RSBA) é uma infecção bacteriana dos seios paranasais que dura menos de 30 dias e na qual os sintomas desaparecem por completo. Quase sempre, é precedida de uma infecção respiratória superior viral (resfriado), mas pode também ser precedida por alergias e traumas.

O diagnóstico da RSBA é feito quando uma criança resfriada não melhora em 10-14 dias ou piora após 5-7 dias. Os seios maxilares e etmoidais são frequentemente afetados. Esses seios estão presentes ao nascimento.

Os seios esfenoidais costumam formar-se em torno dos 5 anos de idade, e os seios paranasais frontais formam-se em torno dos 7-8 anos. A sinusite frontal é incomum antes dos 10 anos de idade.

Os sintomas podem incluir congestão nasal, secreção nasal, secreção pós-nasal, dor facial, dor de cabeça e febre. Os sintomas desaparecem completamente em 30 dias.

Os achados radiológicos (RX de Seis da face) da RSBA, não podem ser diferenciados daqueles observados no resfriado comum.

Para crianças sem melhora em 10 dias ou que apresentam sintomas mais graves, com febre de pelo menos 39°C e secreção nasal purulenta durante pelo menos 3-4 dias consecutivos, recomenda-se o uso de antibióticos.

 

7. RINITE

7.1 – Rinite alérgica:

A rinite alérgica é uma inflamação das vias aéreas superiores secundária à exposição a alérgenos (substâncias que causam alergia), causada por resposta a uma reação imunológica alérgica. É mais comum em crianças do que em adultos. Afeta significativamente a qualidade de vida, interferindo nas atividades físicas e sociais, na concentração, no desempenho escolar e no sono. A rinite alérgica pode contribuir para o desenvolvimento de rinossinusite, otite média e asma.

Os sintomas podem incluir congestão nasal, espirros, rinorreia (nariz escorrendo) e coceira no nariz, no palato (céu da boca), na garganta e nos olhos. Ao exame físico, os cornetos nasais estão inchados e podem apresentar coloração vermelha ou rosa-pálido. Vários grupos de medicamentos são eficazes no tratamento dos sintomas da rinite alérgica, entre eles, corticoides nasais, anti-histamínicos (anti-alérgicos) orais e nasais, e descongestionantes. A higiene nasal com soro fisiológico é útil para eliminar alérgenos.

A rinite alérgica pode ser classificada em intermitente (< 4 dias/semana ou < 4 semanas/ano) e persistente (≥ 4 dias/semana e ≥ 4 semanas/ano). A intensidade pode ser classificada em leve (quando os sintomas não interferem na qualidade de vida) e moderada/grave, quando há o comprometimento na qualidade de vida.

 

7.2 – Rinite não alérgica

A rinite não alérgica também causa rinorreia (nariz escorrendo) e congestão nasal, mas não parece envolver uma reação imunológica. Seu mecanismo não está bem esclarecido. Os fatores predisponentes podem incluir mudanças abruptas na temperatura ambiente, poluição do ar e outros irritantes, como fumaça de cigarro. Os medicamentos também podem estar associados à rinite não alérgica. Os sprays descongestionantes, quando usados por longos períodos, podem causar rinite medicamentosa — que é uma congestão nasal de rebote muito difícil de ser tratada.

 

Dra. Cecilia Gama Tartari  | Pediatra

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