Nenhum tom de cinza

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Meninas vocês perceberam como hoje em dia não existe meio termo para nada? Qualquer opinião sobre qualquer assunto significa que você faz parte de um “time alguma coisa” e isso significa que você, automaticamente, é enquadrada em uma porção de rótulos que não necessariamente fazem parte de você.

Eu sei que ao dizer isso, a maioria deve achar que estou falando de política, o que também se enquadra, mas me refiro A ABSOLUTAMENTE TUDO!

Exemplo: “Eu não gosto de verde”. Automaticamente, quando essas palavras saem da minha boca eu sou vista como “Time anti-verde” ou “Time laranja” e isso me atribui um monte de características que não necessariamente são todas verdade. Eu posso não gostar de verde na roupa, mas posso gostar do verde da natureza. Mas não importa. Ninguém quer saber a complexidade dos meus pensamentos sobre verde. Eu já sou odiada pelos pró-verde e já faço parte dos anti-verde.

A sensação que eu tenho é que existiam antigamente as áreas cinzas, onde uma parte do meu pensamento batia com o da pessoa com quem eu discutia, sempre existiam algumas ideias em comum. Agora você dizer qualquer coisa parece que te obriga a carregar alguma bandeira e defendê-la radicalmente até o fim. E o pior é que a pessoa acaba carregando essa bandeira mesmo que ela no intimo não concorde necessariamente com tudo o que ela simboliza, mas isso deixa de ter importância. A gente não reflete mais sobre os assuntos. A gente simplesmente acaba pertencendo a grupos e os defendendo quase que cegamente porque estamos contra outra coisa.

E isso é outro ponto. Estamos tanto contra outra coisa que acabamos jogando as pessoas em um mesmo saco e simplificando-as a uma bandeira sem conhecer o que realmente pensam sobre uma variedade de assuntos. Com isso, nos sentimos à vontade para julgar e odiar por simplesmente estarem do outro lado da arquibancada.

E não acho que esse seja um fenômeno só no Brasil. Essa polarização e distanciamento de ideias parece estar acontecendo no mundo todo. Vai desde a famosa esquerda x direita até cesárea x parto normal aborto x pró-vida. E os rótulos e categorias vão também se sobrepondo, tipo: se você é a favor de x, então você também deve ser a favor de y e z.

Enfim, essa é uma reflexão sobre tentarmos encontrar um meio do caminho, procurar mais o que temos em comum para pelo menos gerar uma troca de ideias mais saudável. Se ensinarmos nossos filhos dessa forma, quem sabe a próxima geração não terá mais tons de cinza?

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