Espaço de Brincar para adultos, é claro!

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Começa a semana e logo a preocupação em como ocupar a rotina das crianças com atividades que possam entreter las e de certo modo gerar convivência com seus semelhantes e os adultos que a cercam, proporcionando momentos de diversão, integração e aprendizados. O fato é que as crianças sabem o quanto os adultos que a cercam estão atarefados e possuem pouco tempo para entrarem na roda, trazendo seus brinquedos e brincadeiras para revelarem suas infâncias, pelas criança que foram.

Cada dia mais, temos o mundo e a vida adulta nos colocando frente aos compromissos profissionais e as agendas do cuidado da casa, diminuindo os tempos e espaços para estar com as crianças. Elas, desejam aproveitar tudo que lhes é oferecido. Afinal, eles estão buscando significar o mundo e nada mais acolhedor e generoso que fazer junto à eles.
As crianças sentem curiosidade de imaginar como eram seus pais, tios, avôs e avós. Normalmente buscam informações pelas narrativas ou situações que possam revolver as crianças que os adultos foram. Outro dia, uma mãe me disse: Sua criança é linda. Minha filha se conecta a você pela criança semelhante ao que ela é.

É verdade, as crianças reconhecem seus semelhantes mesmo que hoje eles estejam fantasiados de adultos.

O brincar e os brinquedos são as conexões que permitem que a infância seja revelada, traze los, pode fortalecer a relação afetiva e o espaço de confiança que a criança sente por quem a cerca. É importante que ela saiba que as regras de uma brincadeira cabem a todos que participam e que o brincar são atemporais, mas carregam mudanças entre o conteúdo e a forma como elas alteram ao longo dos tempos. Na infância, meu afilhado me trouxe um desafio a respeito de uma cantiga nova que ele aprendeu na escola e essa, ele tinha certeza que eu não sabia. Começou a cantarolar e me levou a conexão de uma música que estava no meu repertório, mas que em sua voz ela carregava uma outra letra e melodia. A música marcava sua infância e devidamente precisava ser respeitada por isso. Ao cantar minha versão, ele achou curioso e me questionou porque eu queria cantar diferente de todas as crianças que ele conhece. Outro fato verdadeiro: Se não trocamos, as transformações que qualquer cantiga ou brincadeira vai ganhando com o tempo e com as novas gerações que chegam podem ser esquecidas ao invés de serem ampliadas promovendo o quanto são adaptativas ao contexto histórico e social que estão imerso.

E fato que meu afilhado não escutou a música que eu cantava por outros representantes, meus semelhantes. Talvez os adultos que estiveram ao seu redor não a fizeram. Passado alguns dias ele retoma o assunto dizendo que sua professora sabe cantar ao meu modo, com as mesmas palavras e a mesma melodia, termina dizendo: Você pode brincar com ela, e ainda afirma, ela também gosta de brincar como você.
Ufa!


O recado veio com endereço certo: Vocês tem que brincar mais e isso incluiria todos os outros, adultos, que deixaram de brincar por algum motivo.
Fui alimentando esse desejo de brincar com os adultos e surgiu a oportunidade de criar ações que pudessem serem nutridas desta perspectiva, tornando a brincadeira uma linguagem transversal em todas as práticas combinadas com o trabalho de formação de leitores por meio do acesso ao livro, a democratização da leitura e a promoção da prática da mediação de leitura.

Todas as atividades promovidas pelo Instituto Clio, organização que atuo, que carrega a palavra literária e a brincadeira aos espaços que atuamos de forma lúdica, educativa, respeitando a enquanto prática cultural. Apontamos em todo início de atividade que o espaço são para as crianças de mais idade, os fantasiados de adulto, e que as crianças mais novas devem nos ajudar na brincadeira. Realizamos um percurso de brincadeiras que permitam a interação com as infâncias presentes no espaço. As crianças aprendem a importância do Brincar e do ler quando possuem bons incentivadores e entusiastas. Devolvemos a oportunidade dos adultos trazerem suas infâncias para o espaço e nosso papel é promover interações onde as relações se constituam sem a preocupação com a idade que cada um carrega. Realizamos brincadeiras e mediações de leitura, tanto as brincadeiras quanto as leituras escolhidas corroboram com essa construção. É importante salientar que nessa atividade desejamos que os adultos possam se envolver, participando. Pedimos as crianças que observem, que vejam o que eles fazem, que possam presenciar e admirar as crianças de idade que existem perto deles. É uma delicia!

Outro dia uma mãe de uma criança com necessidade especial me disse: é bom quando somos incluídos. Ela não falava apenas de seu filho mas também das vezes que se sentiu excluída, apenas monitorando seu filho e ela ser acolhida na brincadeira promove a inclusão em via dupla. Não é o que somos, mas o que fazemos por meio das brincadeiras que garante a inclusão, a brincadeira tem esse poder.

Desejamos por meio das atividades trazer as infâncias em um mesmo espaço. Se as crianças precisam desejar a brincadeira e a leitura, podemos destacar que ela só fará se observar os que o cercam, perceber o valor e a importância, ver outros dando a devida e necessária importancia. Ser referência.
Agora vai o convite: Brinque. Leia.

Traga sua infância para revelar sua criança!
As crianças que te cercam, agradecem.

 

Beto Silva | Pedagogo, Psicopedagogo e mediador de leitura. Atua em programas e projetos projetos nas áreas de leitura, literatura, juventude, educação sócio emocional e inovação educativa. Atualmente é presidente do Instituto Clio, paulistano, apaixonado por passarinhos, jiló e gelatina. Criador das páginas @dedicoaosleitoresquevi @dedicoaoslivrosqueli

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