Entendendo as Varizes

-

As varizes são dilatações das veias superficiais dos membros inferiores, que ocorrem por um mecanismo de aumento da pressão em seu interior somado a um enfraquecimento da parede da veia herdado geneticamente (hereditário).

Por assumirmos uma posição ereta, o sangue utilizado pelas pernas deverá subir pelas veias contra a gravidade, sendo impulsionado neste sentido por mecanismos de bombeamento que utilizam a musculatura da panturrilha (“barriga da perna”) e válvulas no interior das veias, para que o sangue não volte para baixo. Um defeito nestas válvulas ou situações que exijam a permanência prolongada em pé sem se mexer, fazem com que o sangue suba mais devagar, aumentando assim a pressão no interior das veias. Esta situação pode provocar dor, sensação de cansaço ou peso nas pernas, inchaço e o aparecimento daquelas veias saltadas: as varizes. Para muitos, é uma situação apenas antiestética, mas, na visão da medicina, pode trazer complicações como, por exemplo, a flebite, já que o sangue não consegue circular com boa velocidade onde há dilatação. Trocando em miúdos: o “calibre” da veia aumenta, tornando-a visível através da pele.

Hoje em dia se diagnosticadas as varizes, por menores que sejam, está indicado tratar mesmo antes da gravidez. Assim o efeito funcional do tratamento é melhor e esteticamente têm-se resultados muito mais agradáveis e, principalmente, previne-se complicações venosas durante a gravidez.

A partir daí, o jeito é apelar para os tratamentos modernos que – felizmente – não causam dor ou atraso nas atividades diárias.

As varizes são três vezes mais freqüentes nas mulheres do que nos homens. “O hormônio feminino, estrógeno, é vasodilatador”.

“Ficar muito tempo em pé ou até mesmo sentado por horas e com as pernas para baixo são situações capazes de desencadear o processo ou piorá-lo. Mas quando há a herança genética, não dá para escapar”. Tem-se como regra que a tendência a varizes é hereditária e como fatores agravantes, a obesidade, número de gestações, algumas profissões e até o uso de pílulas anticoncepcionais ou reposição hormonal.

Apesar da sentença ser definitiva, é possível lançar-se mão de variados recursos para amenizar e protelar o processo. Entre as dicas mais eficazes estão praticar exercícios constantes, evitando musculação pesada e exercícios de alto impacto, fugir do uso constante de sapatos de saltos altíssimos. E manter a calma, pois as famigeradas varizes são as mesmas há muito tempo, mas os recursos para acabar com elas estão em constante evolução.

Um bom exame clínico em consultório faz o diagnóstico definitivo em cerca de 80% dos casos, porém hoje já existem modernos exames de imagem (ecocolordoppler), que auxiliam em diagnósticos mais precoces e nos dá conta da extensão do problema.

Não importa qual seja a causa ou o tipo de varizes, elas precisam e devem ser tratadas sempre que diagnosticadas.

Apesar dos tratamentos aplicados serem eficazes e eliminarem as telangiectasias e varizes já existentes, estes não impedem que o indivíduo possa apresentar novamente o problema em outras áreas. No caso de hereditariedade não há como evitar, mas, como nos demais fatores de risco, o ideal é prevenir.

ATENÇÃO: Muitos métodos surgem prometendo verdadeiros milagres, portanto tenha muito cautela. O médico deve ser adepto das modernidades e as utilizar com critério, mas, em seu trabalho, deve também valorizar a simplicidade e a habilidade manual para se fazer um tratamento adequado e completo.

A indicação do tratamento depende de vários fatores relacionados ao problema e ao paciente. Somente médicos especializados deverão indicar e realizar estes procedimentos pois para cada caso há um tratamento específico. Cuidado com profissionais e procedimentos não reconhecidos pelo Conselho Regional de Medicina. Sempre que houver dúvida quanto à técnica ou ao profissional acesse o site: www.cremesp.org.br.

No próximo artigo abordaremos os tratamentos específicos para cada tipo de vaso.

Dr. Márcio A. Steinbruch | CRM: 54.630 | Médico formado pela Universidade de São Paulo, com especialização em cirurgia vascular no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da U.S.P. Título de especialista pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Membro titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Membro do corpo clínico do Hospital israelita Albert Einstein, Hospital BP Mirante (pertencente ao grupo Beneficência Portuguesa) e Hospital Nove de Julho.

 

Compartilhe esse texto