“Vasinhos” e seus tratamentos

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Entre os transtornos vasculares mais comuns estão aqueles capilares que, ao se expandirem, lembram teias de aranha ou galhos de árvores vermelhos ou arroxeados.

São as telangiectasias.

Elas não são apenas um problema estético, pois se não tratadas podem crescer e, numa fase mais tardia, podem até causar sangramentos. Também podem indicar que algumas veias não estão funcionando adequadamente.

Estudos mais recentes demonstram que o tratamento mais adequado consiste em associar a ESCLEROTERAPIA (aplicações) e o LASER.

A ESCLEROTERAPIA já é reconhecida pelo alto índice de bons resultados, pois vem sendo usada há muitos anos sem restrições. Consiste em se fazer aplicações de um líquido esclerosante no interior destes vasos e, por um processo de irritação, eles serão absorvidos pelo organismo, sumindo do local. Dependendo do esclerosante empregado o paciente poderá tomar sol durante o tratamento (a solução de glicose a 75% é o mais utilizado e muito raramente traz alguma complicação).

Mais recentemente surgiu a CRIOESCLEROTERAPIA que consiste no resfriamento do medicamento até cerca de -30ºC a -40ºC.  O medicamento age por mais tempo no local, aumentando sua eficiência. O tratamento é feito no consultório. O número de sessões vai depender da extensão do problema e da reação do organismo. Não há restrição à idade e tonalidade de pele. Após a aplicação, a pessoa pode tomar sol e fazer atividades físicas moderadas. Esta modalidade é mais bem empregada no tratamento de telangiectasias um pouco mais calibrosas e resistentes a outras técnicas, prevenindo, assim, a formação de microvarizes.

LASER – Consiste em utilizarmos uma luz muito intensa sobre o vaso, fazendo com que ele desapareça. Porém, não substitui a escleroterapia e sim se soma como mais uma arma no tratamento.

O laser atravessa a nossa pele, sem lesá-la e é absorvido pela parede do vaso, queimando sua camada interna o que faz com que este vaso seja absorvido pelo organismo, desaparecendo.

Com a evolução do LASER (cada tipo tem uma frequência diferente), hoje é utilizado um tamanho de onda (1.064 nm) que não causa danos à pele mesmo nas morenas e/ou bronzeadas.

A associação das duas técnicas potencializa o efeito terapêutico, aumentando a eficiência do tratamento.

Quaisquer condutas acima não são muito eficazes na situação em que existam microvarizes (veias nutrícias) alimentando as telangiectasias. Deve-se proceder à sua eliminação antes, para podermos efetuar o tratamento das telangiectasias.

Guiada pela realidade aumentada se faz a associação do LASER e CRIOESCLEROTERAPIA em pequenas veias varicosas (até 3mm) que alimentam as telangiectasias, evitando-se em muitos casos a cirurgia. Na realidade aumentada o equipamento filma o local com luz infravermelha. A imagem é processada em computador e projetada em tempo real na mesma área que se está examinando. Com isso se tem delineadas veias que não são visiveis a olho nú e que alimentam as telangiectasias (vasinhos).

Com toda esta tecnologia o tratamento se torna mais rápido e menos invasivo, o que é uma boa notícia para quem tem pouco tempo para se tratar ou resolve se cuidar em cima da hora no verão.

Os resultados estéticos são melhores e previne-se a evolução de algumas varizes que podem causar complicações tardias. Ou seja, une-se o útil ao agradável.

O ideal é sempre consultar um cirurgião vascular, que esteja familiarizado com as técnicas em tratamentos venosos, também conhecido com Flebologista, para fazer o diagnóstico preciso e tratar estas pequenas varizes antes das telangiectasias. Um bom exame clínico em consultório faz o diagnóstico definitivo em cerca de 80% dos casos.

Cuidado com profissionais e procedimentos não reconhecidos pelo Conselho Regional de Medicina sempre que houver dúvida acesse o site: www.cremesp.org.br.

 

Dr. Márcio A. Steinbruch | CRM: 54.630 | Médico formado pela Universidade de São Paulo, com especialização em cirurgia vascular no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da U.S.P. Título de especialista pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Membro titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Membro do corpo clínico do Hospital israelita Albert Einstein, Hospital BP Mirante (pertencente ao grupo Beneficência Portuguesa) e Hospital Nove de Julho.

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