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Para a criança pensar, falar e agir acontecem simultaneamente.

Será que nós, adultos, algumas vezes, também agimos assim?

A criança, ao iniciar o desenvolvimento da linguagem, fala como forma de manter contato com outras pessoas, percebe sua capacidade de se comunicar e, aos poucos, a palavra torna-se um instrumento social, uma brincadeira que encanta adultos e crianças. Os primeiros sons, que vêm acompanhados de gestos, são “entendidos” e se transformam em palavras. Todos se divertem, as crianças repetem seus balbucios e notam que há comunicação ou melhor uma brincadeira.

A apropriação da palavra pela criança torna-se ainda mais elaborada na interação social que possibilita, aos dois anos aproximadamente, a entrada na fase chamada de função simbólica, faz de conta, a capacidade de representar realidades ausentes. As ações que veem de outras pessoas passam a imitar. Há um aumento significativo da expressão oral. O que quer dizer que quanto mais as crianças brincam, mais falam sozinhas ou com outras pessoas, assim surge o diálogo.

A função simbólica permite que a criança amplie seu universo de representações, os personagens se multiplicam e os objetos passam por transformações, ou seja, há uma comunhão entre o real e a fantasia.

A família e a escola proporcionam à criança a percepção da amplitude do espaço da brincadeira, pois há pontos de vista diferentes do seu e começa a estabelecer relações, embora ainda de forma muito subjetiva.

Neste estágio, os objetos têm muitos significados para a criança, têm sons e formas diferentes das originais e passam a ser recursos para a expressão da brincadeira. Ao observar a brincadeira infantil constata-se que é possível transformar todo e qualquer objeto em brinquedo e tudo se transforma em palavras.

Temos muito o que aprender com as crianças, é preciso, apenas, ouvirmos suas palavras.

Linda Derviche Blaj | Diretora da Educação Infantil do Colégio I.L.Peretz, Mestre em Letras pela USP, Pedagoga com especialização em Psicopedagogia e em Cuidados Integrativos UNIFESP.