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A contação de histórias é um momento envolvente. Frequentemente vejo crianças e adultos se aproximando, surpresos e curiosos, ao ouvirem os sons das palavras e a entonação da voz, há um convite para entrarem em um ambiente fantasioso. O gesto, a palavra e o silêncio se fundem, de ouvintes todos passam a fazer parte da fantasia.

O ato de contar histórias é muito antigo, pode ser observado em muitas civilizações e em algumas culturas tem função curativa.
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Na pesquisa realizada por Gilberto Safra (2005), que consta de seu livro “Curando com histórias”, o autor afirma que a inclusão dos pais na consulta terapêutica das crianças amplia a visão que se pode ter sobre a utilização das histórias como um recurso na área da saúde. Segundo o autor, após realizar por muitos anos o trabalho com histórias em consultório, há nas crianças tratadas um aprimoramento da consciência da realidade psíquica, ou seja, as crianças passam a compreender melhor seus conflitos e podem expressar suas angústias por meio de histórias contadas e da criação de novas.

Em um primeiro momento, após ouvirem histórias, as crianças repetem a narrativa ou palavras, assim como o fazem com os gestos que imitam. O desenvolvimento físico, emocional, bem como o cognitivo, estão diretamente ligados à entrada no universo simbólico das histórias.

Cada nova narrativa apresenta cenários, personagens, culturas e, consequentemente, há transmissão de valores.

Elementos ou personagens com características más representam o desafio das narrativas, os heróis realizam tarefas e, geralmente, encontram saídas para as situações difíceis. As histórias com cenas que suscitam o medo asseguram, especialmente, à criança o afastamento e a volta ao porto seguro.

A entrada no mundo simbólico não se dá como algo natural, acontece a partir da relação com outras pessoas.

Sentar ao lado de uma criança para contar uma história é um gesto de afetividade que representa cumplicidade e magia. Leitor e ouvinte embarcam em um contexto imaginário único, que transcende a realidade. Um pretexto para unir pessoas.

Minha sugestão é , sempre que possível,  ler um livro, ouvir uma história ou presentear uma pessoa com uma narrativa, sempre é tempo de sonhar.

 

Linda Derviche Blaj
Mestre em letras pela USP, Pedagoga, Psicopedagoga com especialização em cuidados integrativos e orientação familiar. Diretora da Educação Infantil do Colégio I.L. peretz