barra

Rosh Hashaná é o dia do ano novo judaico, pois neste dia D’us criou o homem no sexto dia da criação do mundo, por isso este dia foi o escolhido para ser o início do ano no calendário judaico.

 

Rosh Hashana, representa dois assuntos, o dia do julgamento do homem e o dia da coroação do grande Rei do universo, D’us.

 

Coroação do Rei.

 

Era tarde no sexto dia desde que D’us começou a Criação do Mundo. Tudo agora estava pronto, ou quase tudo. O sol brilhava radiante no céu azul, e seus raios tremeluziam alegremente nas águas límpidas dos rios, regatos e lagos abaixo. As campinas estavam verdes com a grama nova. Os pássaros pipilavam contentes no ar. Os bosques estavam repletos de esquilos e coelhos, e todo tipo de animais grandes e pequenos.

Mas todos os bichos eram mudos, e nenhum deles tinha o dom de saber como tinham sido criados, e quem os criara. E assim D’us decidiu criar a derradeira, e mais maravilhosa criatura, uma criatura que tivesse a capacidade de pensar, falar e fazer coisas lindas. Esta criatura era o Homem.

Quando Adam abriu os olhos e viu o belo mundo à sua volta, soube imediatamente que D’us criara o mundo e ele, também. As primeiras palavras de Adam foram: “O Senhor é Rei para todo o sempre!” E o eco de sua voz correu mundo afora.

“Agora o mundo todo saberá que Eu sou Rei”, disse D’us, e estava muito contente.

Este foi o primeiro Rosh Hashaná! O primeiro Ano Novo. Era o aniversário do Homem, e o Dia da Coroação do Rei dos Reis!

“Vejamos, o que os reis fazem no dia de sua Coroação?” perguntou D’us, e Ele respondeu: “Transformam este dia numa festa. Os súditos leais se reúnem para expressar seu amor e lealdade ao rei. Soam as trombetas e proclamam: ‘Longa vida ao rei!’ O monarca fica repleto de amor pelos súditos, e concede-lhes muitos favores e honrarias. Esquece-se até dos homens maus que agiram contra seus desejos, se demonstram arrependimento. Sim, é isto que os reis fazem no Dia da Coroação. É o que Eu farei!”

E assim D’us fez de Rosh Hashaná uma festa sagrada. Nós nos reunimos nas sinagogas, tocamos o shofar e demonstramos nosso amor pelo nosso Rei e Pai nos céus. E D’us fica feliz e é bom para todos nós, concedendo-nos um ano bom e doce.

 

O dia do julgamento.

 

A Torá institui que Rosh Hashaná, o início do ano, seja celebrado no aniversário da Criação, mas não no primeiro e sim, no sexto dia, o dia em que foi criado o Homem. O significado do dia e do evento não reside no surgimento de uma nova criatura, superior às outras do reino animal, assim como este é superior ao reino vegetal que, por sua vez, está acima do mineral. O significado está no fato de que a nova criatura – o Homem – é essencialmente diferente das outras. Pois foi o homem que reconheceu o Criador através da Criação e elevou-a a este reconhecimento, a realização e suprema finalidade de seu desígnio Divino.

Uma das características que distinguem o homem de todas as outras criaturas é o dom do livre arbítrio que D’us lhe concedeu. O homem pode usar esta dádiva Divina em duas direções opostas. Pode escolher o caminho da destruição de si mesmo, D’us não o permita, e de tudo que o cerca; ou enveredar pela estrada certa da vida, que o elevará, a ele e a toda a Criação, à mais alta perfeição.

Para ajudar-nos a reconhecer e escolher o caminho certo, recebemos a Torá, que é Divina e eterna; daí serem os seus ensinamentos válidos para todos os tempos e todos os lugares.

O homem não pode fazer a sua escolha apenas baseado em seu intelecto, pois este é limitado. Serve apenas para descobrir e despertar a intuição e a fé nas coisas que estão além do reino do intelecto. Esta fé e intuição são o legado de cada judeu que ilumina todo o seu ser e o orienta na vida cotidiana para uma existência inspirada na Torá e nas mitsvot.

Em Rosh Hashaná, o homem enfrenta não apenas o julgamento Divino como também o seu próprio. O veredito com relação ao futuro deve ser o de assumir o cumprimento de seus deveres, de realizar – nele mesmo e no seu ambiente – um chamado para a submissão absoluta diante de D’us proferido pelo primeiro homem Adam, Adão, no dia de sua Criação, no primeiro Rosh Hashaná. Isto só pode ser conseguido mediante uma vida inspirada e orientada pela Torá.

Que ninguém pense: quem sou eu para possuir tais poderes de construção ou destruição? Pois vimos, para a nossa aflição, o que pode causar uma quantidade ínfima de matéria pela liberação de energia atômica. Se tal poder destruidor está oculto num mero átomo, para a negação do desígnio da Criação, quão maior é o poder criador confiado a cada indivíduo para trabalhar em harmonia com a finalidade Divina; pois recebemos da Divina Providência os meios e oportunidades especiais de alcançar a meta para a qual fomos criados: a realização de um mundo em que “cada criatura reconhecerá que Tu a criaste e cada alma dotada de alento exclamará: ‘D’us, o D’us de Israel, é Rei e o Seu reino é supremo.’ ”

Para que sejam revelados e para que possamos aplicar estes poderes, é necessário buscar e liberar as forças potenciais. E temos a promessa: “Descobrirás porque buscarás com todo o teu coração e alma.”

Isto tudo se aplica de forma especial e completa aos que ocupam posições de liderança espiritual e possuem influência, desde o rabino de uma comunidade até um pai que orienta a vida espiritual de sua família. Muitas vezes vemos pessoas paralisadas pela dúvida e pelo medo, receosos de empregar o que lhes parece uma palavra forte ou exigência excessiva e, assim, alienar em vez de atrair.

A eles dirigimos esta mensagem:

“Busque profundamente em seu interior e descobrirá os tesouros mais íntimos dos que queres orientar e inspirar; não os avalies externamente, mas segundos os recursos e capacidade de suas almas, a verdadeira centelha Divina. Pois, pela atitude certa e pelo infatigável esforço poderá descobrir e ativar em todos, os recursos espirituais que animarão sua vida diária. Tenha confiança em seus irmãos judeus e dê-lhes o que, como judeus, verdadeiramente esperam de você: a Torá inteira com todos os seus preceitos, assim como eles são, assim como os recebemos no Sinai; pois a Torá é eterna em todos os tempos e lugares.”

Somente assim poderemos avaliar verdadeiramente o nosso “eu” e o dos que buscam orientação e liderança; uma avaliação sincera que fará do próximo ano um ano cheio de conteúdo e realização proporcionais aos nossos melhores recursos e, portanto, também repleto de bênçãos Divinas, materiais e espirituais.

 

Costumes.

 

Shofar

O principal assunto de Rosh Hashaná é ouvir o Shofar, pois tocando o Shofar representamos a coroação de D’us como nosso Rei.

E também o som do Shofar representa o choro do filho para o seu pai, assim também nós choramos para D’us o nosso pai e pedimos a ele que nos de um ano bom e doce.

 

Alimentos

Vários alimentos simbólicos são ingeridos na refeição da primeira noite de Rosh Hashaná, e um pedido é recitado para cada alimento.

 

Maçã
Mergulhamos uma fatia de maçã doce no mel, recitamos a bênção da fruta (Borê Peri Haêts) e falamos: “Yehi ratson milefanêcha shetechedêsh alênu shaná tová umetucá”.
“Possa ser Tua vontade renovar para nós um ano bom e doce “.

 

Chalá redonda

As chalot servidas em Rosh Hashaná são redondas, símbolo de continuidade e eternidade, como o círculo que não tem começo nem fim; sem ângulos, nem arestas, um pedido para um ano sem conflitos. Costuma-se mergulhar o pão no mel em vez do sal habitual, em todas as refeições desde Rosh Hashaná até o sétimo dia de Sucot.

 

Mel

O valor numérico da palavra “Dvash” (mel em Hebraico) equivale ao valor de “Av Ha’Rachamim” (Pai Misericordioso): assim o mel representa a esperança de que a sentença decretada pelo Supremo Juiz seja amenizada pela Sua compaixão.

 

Frutas e alimentos especiais

É costume comer carne e vinho doce ou qualquer bebida doce nesta refeição, para ter um ano farto e doce. Na segunda noite de Rosh Hashaná, imediatamente após o kidush, costuma-se ingerir uma fruta nova, a primeira vez que comeríamos nesta estação, a fim de pronunciarmos a bênção de Shehecheyánu.

Romã

Costuma-se ingerir em sinal para que aumentem nossos méritos como os caroços da romã. Há uma explicação que a romã possui 613 caroços – o número das mitsvot da Torá.

 

Cabeça de carneiro, língua ou peixe com cabeça

Costuma-se ingerir um destes alimentos para que sejamos cabeça e não cauda:

– De carneiro, para lembrar o mérito do sacrifício de Yitschac que foi substituído por um carneiro.

– De peixe, para que o ser humano se multiplique como os peixes.

 

Ingredientes que devem ser evitados

Não se come nada temperado com vinagre em Rosh Hashaná ou raiz forte para não ter um ano amargo. Nozes também não devem ser ingeridas nestes dias.

 

Por Rabino Guershi A. Goldsztajn

guershiavi@msn.com