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Olá  mamis queridas! À pedido da moderação e embarcando na questão do jogo Baleia Azul e da série do Netflix “13 Reasons Why”, venho conversar sobre um grave problema de saúde pública : suicídio na adolescência.

Independente da qualidade e intenção destes, precisamos aproveitar o momento para discutir esse assunto tão importante e quase nunca falado. Sim! Adolescentes sempre se mataram e vem se matando cada vez mais (mesmo antes de qualquer serie ou jogo), o porque disso ainda não sabemos ao certo…

Talvez o papel disso tudo seja abrir nossos olhos aos adolescentes vulneráveis, esses sim de risco quando expostos a tais situações.

Vamos aos dados: Segundo dados da OMS, mais de 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano em todo o mundo, o que equivale a uma morte a cada 40 segundos, sendo que a cada três segundos uma pessoa atenta contra a própria vida. Por isso, milhões de pessoas são afetadas por casos de suicídio a cada ano, incluindo o luto.

Em 2012, o suicídio foi a segunda maior causa de morte entre os 15 e 29 anos de idade, em todas as regiões do mundo. 75% dos suicídios ocorridos no mundo, no mesmo ano, foram em países de baixa e média renda. Também em 2012, o suicídio foi responsável por 1,4% de todas as mortes no mundo, tornando-se a 15ª causa de morte.

Se podemos ver um lado bom de tudo isso é que se comecou finalmente a falar sobre suicídio e transtornos mentais (por exemplo, os pedidos de ajuda ao CVV – Centro de Valorizacao a Vida- subiram 445% desde a estréia da série “13 Reasons Why”). Devemos lembrar que a adolescência em si já e um momento conturbado, cheio de incertezas e mudancas fisicas, psiquicas, e sociais. Somado a isso temos o fato de uma alta prevalência de trantornos mentais nessa fase (16,5%).

Os principais fatores de risco para o suicidio são:

  • Presença de trantornos mentais: 90% das vítimas apresentam pelo menos um transtorno psiquiátrico –em especial a depressão, considerada principal fator de risco para o suicídio, cujos principais sinais e sintomas são: tristeza, mudança de comportamento, isolamento, perda de prazer , piora no rendimento escolar, auto-mutilação ou lesões sem explicação, alteração de sono e apetite,perda de esperança, irritabilidade, entre outras…
  • Histórico familiar;
  • Abuso físico e sexual (maus tratos principalmente na infância, negligência);
  • Tentativas de suicidio prévias.

Um mito muito frequente é o de que falar sobre suicídio pode induzir ao mesmo. Falar sobre suicidio, idelização de morte em um ambiente protegido (família, médico, terapeuta) ajuda a identificar e nomear algo que não vai bem, e portanto, sim, devemos falar sobre isso!

Pais, escolas e profissionais de saúde (não só de saúde mental) devem estar atentos e capacitados para perceber situações e fatores de risco. É comum que esses adolescentes fragilizados procurem na internet informações que o ajudem a entender o que estão sentindo e entrem em contato com conteúdo inadequado e até criminoso, ou seja, é fundamental que possamos falar com nossos adolescentes, em vez de deixá-los procurar por aí o que fazer em relação ao que sentem.

O suicídio pode e deve ser prevenido. Dentre as estratégias de prevenção, a identificação e o tratamento dos transtornos psiquiátricos são as mais eficazes, principalmente em relação ao estigma destes.

Em resumo, toda essa discussão atual em torno do tema, nos faz um alerta de como é importante estarmos atentos a nossos jovens e seus comportamentos, e que uma vez identificada qualquer alteração, deve se procurar de imediato ajuda especializada, evitando assim que esses adolescentes vulneráveis encontrem respostas inadequadas na TV ou internet.

Segue um link legal da ABP (Associacao Brasileira de Psiquiatria) sobre várias outras questões em relação ao suicídio.

 

À disposicao para discussão e dúvidas,

Dra. Danielle Herszenhorn Admoni | Médica Psiquiatra da Infância e Adolescência