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De longe a queixa mais comum em consultório, a falta de desejo sexual. Nem sempre é fácil localizar as causas para o desinteresse, sendo constante a multiplicidade de fatores. Antigamente era mais frequente encontrar mulheres com essa reclamação, no entanto cada vez mais homens estão também sofrendo com a perda do interesse sexual.

Problemas hormonais

Baixa produção de hormônios envolvidos na “orquestra do desejo”, além de outros desequilíbrios, podem inibir a libido em homens e mulheres. É muito importante investigar clinicamente para avaliar a saúde de modo geral e a saúde sexual especificamente. Fatores como idade, doenças crônicas, menopausa e a amamentação, por exemplo, contribuem para desafinar alguns instrumentos.

Uso de medicamentos

O uso contínuo de alguns anticoncepcionais e contraceptivos de emergência pode influenciar no desejo sexual, assim como antidepressivos e inibidores de apetite. Para tanto é necessário sempre discutir com os médicos o quanto um medicamento pode influenciar na sua resposta sexual, para que outras possibilidades sejam avaliadas, além do acompanhamento necessário durante o uso.

Transtornos psiquiátricos

Alguns transtornos psiquiátricos podem interferir na libido, como os estados depressivos, distímicos, fóbicos, ansiosos, obsessivos (entre outros). Isso acontece tanto por fatores bioquímicos, quanto por questões emocionais e comportamentais que interferem diretamente na vontade e na capacidade de entrega consciente ao ato sexual.

Cansaço, estresse

A vida não tá fácil para ninguém. Algumas pesquisas tem apontado que as mulheres tem colocado a qualidade do sono acima da satisfação sexual[1] [2]. Com as mamys, principalmente as recentes e com filhos pequenos, a situação pode ainda se agravar, pois qualquer brecha no tão atarefado cotidiano é um convite a uma soneca.

Falta de tesão no parceiro

Sim, pode ser que seu(a) parceiro(a) não esteja atraente, nem tanto fisicamente, mas que esteja faltando nele tempero, sedução, “pegada”. Quem sabe é uma fase difícil que ele(a) esteja vivendo, ou vai ver que o sexo entre vocês está chato e monótono, ou ainda que vocês se tornaram “irmãos”. Um casal que tem química e bom encaixe sexual consegue, com motivação dos dois lados, resgatar uma vida sexual mais animada e criativa. Vale tudo: falar sobre algumas fantasias sexuais, sair do lugar comum, voltar a cortejar, usar brinquedos eróticos, viajar…

Uma relação cheia de problemas

Embora algumas pessoas sejam sexualmente movidas pela raiva e pelo ciúme, boa parte das mulheres leva para a cama os problemas da relação. Como fazer sexo com alguém que é agressivo, desrespeitoso, frio, distante? Toda relação que se preze tem fases e fases, mas algumas são tão devastadoras para a entrega sexual, que se faz necessário buscar ajuda profissional para a reaproximação da intimidade entre o casal.

Desejo? O que é isso?

Há um grupo bem grande de mulheres que não sente desejo sexual espontâneo, ou seja, não tem vontade de “transar” como um apelo físico; ou o sente esporadicamente. Por outro lado, “pegam no tranco”, quer dizer, quando excitadas respondem positivamente ao sexo. Ser responsiva, como dizemos, não é um problema; a questão é saber quais são os gatilhos que disparam o desejo e se disponibilizar para o sexo.

 

Ana Canosa| Psicóloga clínica, comunicadora,  terapeuta de casais, terapeuta sexual e educadora sexual. Diretora da Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana (SBRASH)

E-mail: acanosa@uol.com.br

 

[1] http://www.bonde.com.br/mulher/comportamento/mulheres-preferem-ter-uma-boa-noite-de-sono-a-fazer-sexo-veja-a-pesquisa-423340.html
[2] https://br.vida-estilo.yahoo.com/maes-preferem-dormir-a-fazer-sexo-diz-estudo-160905738.html