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Hoje vamos falar sobre a Covid na gravidez. Os estudos científicos acerca da Covid-19 ainda são primários; apesar de conhecermos os principais sintomas da doença, pouco se sabe sobre o comportamento do vírus no organismo. No que diz respeito a infecção de Covid-19, preliminarmente, as evidências não indicaram diferenças significativas nos sintomas entre gestantes e não gestantes, a menos que fossem portadores de condições crônicas de saúde como hipertensão, diabetes, obesidade e etc.

Nos dias atuais, o que tem sido verificado é que as mulheres grávidas com Covid-19 desenvolvem, em sua maioria, sintomas leves, entretanto, podemos afirmar que os sintomas se manifestam de quadros assintomáticos até quadros de maior gravidade e fatais.  No último trimestre de gestação e no período do puerpério, o risco de quadros mais graves se torna maior. Dessa forma, gestantes e puérperas até o 14º dia de pós parto, são consideradas grupos de risco para Covid-19.

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Divulgado em julho, um estudo publicado no International Journal of Gynecology apontou que, entre 26/2, quando foi registrado o primeiro caso no país, e 18/6, 124 gestantes e puérperas morreram por covid-19 no Brasil.

Sintomas 

Sintomas como febre e a hipoxemia (baixo nível de oxigênio no sangue), são responsáveis pelo aumento do risco de trabalho de parto prematuro. Além disso, podem resultar na rotura prematura de membrana, cesariana e aumento do risco de complicações fetais. A hipertermia alta (febre de mais de 40ºC) – quando ocorre no primeiro trimestre, pode aumentar o risco de malformações congênitas, mas ainda há poucos dados. Tromboses também possuem maior risco de acontecerem em pacientes com Covid na gravidez.

Dificilmente pode ocorrer a transmissão do vírus pela placenta, ou seja, o vírus circula pelo sangue. Porém, com baixa carga viral, apenas em 1% das gestantes sintomáticas, sugerindo que elas apresentem lesões ou entupimentos nos vasos sanguíneos. Tais lesões prejudicam o fornecimento de oxigênio ao bebê – é aí que entra alguns dos problemas que citamos acima, relacionados à prematuridade – mas que de um modo geral, não acontece com frequência.

Amamentação

Sobre a amamentação, o Ministério da Saúde recomenda a manutenção do aleitamento materno e reforça que os seus benefícios são extremamente maiores do que os possíveis riscos de infecção por essa via.

Nota da Sociedade Brasileira de Pediatria

A mãe suspeita ou com diagnóstico de COVID- 19 pode amamentar se estiver em bom estado geral, se quiser amamentar, tomando alguns cuidados higiênicos e seguindo algumas recomendações, como a seguir:

  • Usar máscara facial (cobrindo completamente nariz e boca) durante as mamadas e evitar falar ou tossir durante a amamentação;
  • Trocar de máscara imediatamente em caso de tosse ou espirro ou a cada nova mamada;
  • Lavar com frequência as mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos, antes de tocar o bebê ou de retirar o leite materno (extração manual ou na bomba extratora). Se não for possível, higienize as mãos com álcool em gel 70%;
Vacinação

De acordo com a Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), o ideal é que se aguarde o impacto da imunização na população geral para que seja avaliada sua aplicação em gestantes e puérperas.

“Por princípio de precaução, não recomendaria a vacinação nesse perfil de mulheres”, escreveu a médica porta voz no site da Federação. O presidente da Comissão Nacional Especializada em Doenças Infectocontagiosas da Febrasgo, Dr. Geraldo Duarte, diz que as pesquisas envolvendo gestantes realizadas até o momento ainda não divulgaram os resultados.

Prevenção

A melhor forma de prevenir a Covid na gravidez, ainda é o uso de máscaras, higienização das mãos com água e sabão, uso de álcool em gel e medidas de isolamento social. Dessa forma, converse com o seu médico sobre a sua segurança nas consultas presenciais.

Previna-se!
Ainda não passou. Mas vai passar.

Dr. Thomas Moscovitz | CRM 82581 | Doutor pela Faculdade de Medicina da USP. Especialista em: Ginecologia – Obstetrícia – Videolaparoscopia – Videohisteroscopia e Chefe de Setor de Videohisteroscopia da Faculdade de Medicina do ABC