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Açúcar vicia? Embora muitas pessoas acreditam que doces, e mais especificamente o açúcar, sejam “viciantes” da mesma forma que drogas, as melhores evidências apontam que isso não é verdade. A discussão é bem complexa, mas, na realidade, uma das características mais importantes do vício químico é a abstinência. Isto é, a ausência daquela substância aumentaria substancialmente seu desejo de consumi-la. No caso de doces, porém, as evidências mostram que ocorre o contrário.

Ao menos no médio prazo, uma restrição total de doces costuma reduzir substancialmente o desejo prospectivo (há varias evidências nesse sentido) e aumentar o consumo acaba por aumentar o desejo em curto prazo.

Ou seja, se por alguma razão você passou a consumir mais doces, pode perceber que esse desejo acaba permanecendo nos dias subsequentes (principalmente se você sempre come no mesmo horário) e pode ter dificuldade em se libertar desse hábito.

 

Açucar na Pandemia

No atual momento da pandemia, em que os fatores que nos levam a estar mais ansiosos não desaparecem e a proximidade física entre você e o doce em quem trabalha de casa, o risco desse consumo maior se tornar uma rotina difícil de ser quebrada é enorme. Por outro lado, se você segura essa vontade por alguns dias, pode haver redução drástica. Claro que não é tão simples simplesmente dizer a alguém fanático por doces: “basta não comer por alguns dias e pronto”. Mas não tê-los disponíveis em casa pode ajudar a frear o impulso nos primeiros dias. E ai, reduzir substancialmente a vontade nos dias seguintes.

Açúcar vicia

Fica o alerta

A discussão é muito complexa, pois envolve questões químicas e psicológicas, e o desejo e a capacidade de resistir a um doce (que é muito mais do que somente açúcar e contém gorduras também) varia muito de pessoa a pessoa, mas é um alerta válido!

Ref: Benton. The plausibility of sugar addiction and irá role in Obesity and eating disorders. Clin Nutr 2010

 

Dr Bruno Halpern | CRM-SP 124905 Endocrinologista RQE55372 Doutor em Medicina USP, vice-pres World Obesity Federation pela Am.Sul, diretor comunicação social SBEM