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Existem muitos mitos e verdades em torno da gestação e maternidade que vamos desvendar aqui para vocês.

 

“O primeiro trimestre da gravidez é o mais delicado!”

Verdade! São nos primeiros três meses que os órgãos do feto são formados e, consequentemente, o período de maior risco de ocorrerem doenças ligadas a alterações genéticas. Por isso, é preciso ter um cuidado especial neste período.

Nesse momento é quando a grávida mais precisa de apoio no período da gestação. É importante estar preparado – mesmo que nem sempre seja possível ou fácil – para todas as novidades que o médico contar, sejam elas boas ou ruins.

Esse é um dos motivos do acompanhamento pré-natal ser tão necessário, pois a maioria das surpresas ainda pode ser cuidada com a alimentação e as recomendações corretas.

O risco de perda gestacional é significativamente maior no primeiro trimestre: é por isso também que muitas mamães esperam passar esse período para compartilhar a notícia da gravidez com pessoas fora de seu círculo mais próximo.

 “A gestante deve comer por dois”

Mito! Bom, é verdade que a fome pode aumentar bastante, mas isso não quer dizer que o serzinho que há dentro de você conte como outra pessoa na hora das refeições. Nesta fase, o mais importante é prezar pela qualidade dos alimentos e não a quantidade. Assim, a mamãe se mantém dentro do ganho de peso esperado para uma gestação saudável e evita problemas na sua saúde e na do bebê. Sem contar que facilita a volta do corpo ao normal no pós-parto!

Grávida não deve fazer exercícios físicos

Mito! Se não houver fatores de risco na gravidez, o recomendado é que faça exercícios físicos sim. Se você não praticava antes de engravidar, o ideal é que faça atividades leves e de baixo impacto, como caminhadas, ioga, natação e hidroginástica.

Agora, se você já praticava exercícios físicos, pode continuá-los, mas cuidado para não fazer nada que coloque em risco a sua saúde e a do bebê. De uma maneira geral, a recomendação é não aumentar muito a frequência cardíaca, evitar grandes sobrecargas e movimentos de impacto.

Manter o corpo em movimento é fundamental e também ajuda muito no parto e pós-parto.

É claro que, antes de optar por fazer atividades físicas, a mamãe deve obter  autorização do seu médico.

“A amamentação é fácil e encantadora”

Mito! A amamentação é um dos atos mais importantes e significativos da maternidade, porém, não é livre de dificuldades. Nenhuma gestação e maternidade é igual ou perfeita; o que funcionou para alguém, pode não funcionar com você. Assim, as expectativas podem levar a frustrações.

Estamos imersas em um universo em que as redes sociais e influenciadoras retratam a maternidade de maneira irreal.  Muitas fazem com que suas seguidoras acreditem que ela não teve dificuldades ou complicações em momento nenhum da gravidez, afinal, postam quase sempre ou sempre os momentos bons e fotos bonitas. Mas, a maternidade real pode ser bem diferente.

Apesar de variar de mulher para mulher, é natural que existam algumas dificuldades no processo como, por exemplo, formação e ferimentos no bico do peito, baixa produção de leite, dificuldade do bebê em abocanhar corretamente o seio da mãe, entre outras.

A amamentação é um processo de aprendizado tanto da mãe como do bebê. Por mais contraintuitivo que pareça, o bebê não sabe mamar quando nasce. Já o corpo da mãe passa a vida inteira com os mamilos cobertos e não está “acostumado”a amamentar. Isso tudo faz com que, principalmente no primeiro mês, ao aprender a pega correta, o peito da mãe fique muito machucado e a amamentação não seja exatamente algo prazeroso. Grande parte das mulheres passam por isso.

O importante é saber que, por mais difícil que possa ser no começo, com informação e suporte adequados, essa fase passa e logo a mãe e o bebê ficam craques na amamentação.

Por isso, se houver alguma intercorrência durante este processo ou por algum motivo você não consiga amamentar o seu filho, não se culpe, nem se pressione. É preciso entender que a amamentação não é tão simples como parece e ela não depende só de você.

É extremamente importante que você tenha as informações corretas, rede de apoio, e até mesmo o suporte de uma consultora ou banco de leite.

“O leite deve ser fraco”

Mito! Quando os recém-nascidos choram, logo pensamos: deve ser fome! Acontece que os recém-nascidos choram com muita frequência, o tempo todo, eu diria. Logo podemos ter a sensação de que o leite não está sendo suficiente para sustentar o bebê.

Existem também outras necessidades que devem ser descartadas antes de se concluir que o bebê está com fome. Ele pode estar com sono, cansado, com frio/calor, ou ainda com gases ou cólicas, por exemplo. Ou o bebê pode estar só querendo um colinho mesmo!

Vale lembrar que nos primeiros dias o estômago do bebê é muito pequeno, fazendo com que ele se sacie rapidamente e, consequentemente, também fique com fome logo. Podem até mesmo mamar  de hora em hora, é normal! Por isso é tão importante a livre demanda.

Salvo raríssimos casos em que a mulher tenha problemas de saúde específicos, o leite da mulher nunca é fraco, ele tem todos os nutrientes que o bebê precisa para crescer saudável até os 6 meses. O que pode acontecer em poucos casos, é a mulher ter pouca produção de leite. Mas o leite sempre é bom.

Também é possível que o bebê esteja fazendo a pega errada e isso acontece porque o recém-nascido ainda está se adaptando a esta novidade e pode levar alguns dias para ele aprender corretamente.

Há bebês que têm bastante dificuldade para acertar a pega. Nestes casos, uma consultora de amamentação ou banco de leite podem ser de grande ajuda! Apesar das adversidades, fique tranquila, mamãe, pois o seu leite não é fraco – e nem você!

“Beber cerveja preta pode aumentar a produção de leite”

Mito! Não há nenhuma comprovação científica que ateste tal fato. Pelo contrário, algumas pesquisas apontam que o álcool consumido na gestação pode causar má formação do feto. Mesmo sendo mínimo o teor de álcool na cerveja preta, pode trazer complicações.

“Não pode beber nada de álcool na gravidez”

Verdade! Esse é um assunto bem controverso e alguns médicos até liberam uma tacinha ou outra, mas não há consenso e não se sabe ao certo qual é o nível mínimo aceitável ou seguro durante a gestação. É importante lembrar que o consumo de bebidas alcoólicas durante a gestação pode ocasionar dificuldades na formação do feto, levando a complicações à mãe e ao bebê durante a gravidez e no pós parto. Melhor evitar, certo?

“Desejos não satisfeitos, bebê com marcas”

Mito! Quem nunca ouviu que se os desejos alimentares da grávida não forem realizados, o bebê nascerá com alguma marca ou até mesmo com a cara do alimento? Pois é, não passa de superstição. As gestantes de fato têm desejos durante a gravidez, mas se o desejo não for suprido, o bebê vai continuar do jeito que está. Os desejos podem até mesmo serem reflexos de carências nutritivas do bebê.

As manchinhas que os bebês nascem que são conhecidas como marcas de nascença são frequentes, geralmente são inofensivas, algumas desaparecem com o tempo ou encolhem. Em casos específicos podem ser associadas com algum problema de saúde. Em todo caso, converse com o seu médico para saber do que se trata. A causa da maioria das marquinhas é desconhecida, podem ser herdadas dos pais e normalmente não estão relacionadas a traumas na pele durante o parto ou por desejos durante a gravidez.

“Se a grávida tem muita azia é porque o bebe vai ser cabeludo”

Mito! O que vai definir se o bebê vai ser ou não cabeludo é a genética e não a azia. Os enjoos surgem porque o útero pressiona o estômago, causando um refluxo do ácido estomacal, além das altas taxas de progesterona que, em abundância, acaba causando azia.

“Se a barriga for arredondada é menino, se for pontuda é menina”

Mito! O sexo do bebê não influencia no formato da barriga da grávida.. “A barriga da mãe cresce conforme anatomia e genética da gestante, sem nenhuma influência do sexo do feto”, explica o Dr Guilherme Fernandes, Associação de Obstetrícia e  Ginecologia de São Paulo (Sogesp). A única forma correta de saber o sexo do bebe é fazendo o exame de ultrassonografia no segundo trimestre da gravidez.

“Mãe é tudo igual”

Mito! De fato, há semelhança nas tomadas de atitudes entre diferentes mães, afinal, todas estão desempenhando o mesmo papel. Contudo, é errado resumir o papel de mãe a um perfil pré-moldado.

Quando a mulher se torna mãe, muitos clichês que nós ouvimos a vida inteira começam a fazer muito sentido. Realmente são despertados muitos instintos e comportamentos característicos da maternidade, o que provavelmente é a origem desse “mito”. Também passamos a repetir muitos comportamentos dos nossos pais.

Apesar das semelhanças, por trás de cada mãe há uma mulher com suas singularidades. Jamais se culpe por não agir sempre do mesmo modo que as outras. Você é um ser pensante e com sentimentos, não uma máquina pré-programada.

“Agora o mundo gira em torno do bebê”

Mito! A mãe jamais estará errada em tratar o filho como prioridade, principalmente nos seus primeiros meses de vida. Afinal, ela é responsável por um serzinho que é 100% dependente e precisa de muita proteção e cuidado.

A maternidade nos primeiros meses é bem selvagem e os hormônios atuam fazendo com que a mulher praticamente não consiga mesmo enxergar nada além daquele serzinho.

Os primeiros meses são de grande adaptação e aprendizados, fazendo com que se torne completamente normal a mulher se sentir extremamente sobrecarregada com tudo que está passando.

Apesar da grande responsabilidade, essa mãe também é mulher, que trabalha fora, sendo esposa e que precisa cuidar de si.

Então dedique tempo a você. Procure voltar gradualmente à sua antiga rotina, ainda que com adaptações. Isso inclui a prática de exercícios, cuidados com a saúde física e mental, com o seu casamento, e outras que forem relevantes para você, tornando  a maternidade mais leve.

Quanto melhor você estiver consigo mesma, maiores as chances de você transmitir leveza e tranquilidade ao seu filho.

Importante: não se force a fazer isso como obrigação ou medo, mas sim, como um modo de se sentir melhor consigo mesmo.

“Se um parto for cesárea, o próximo será também”

Depende! Há um ditado que corre no meio médico que diz: “uma vez cesárea, sempre cesárea”. Por muitos anos e ainda atualmente, acredita-se que não é possível ter um parto normal após uma cesária. Porém, diversos estudos e casos reais recentes vêm demonstrando que o parto normal após uma cesárea pode ser perfeitamente seguro e que a cirurgia só deve ser indicada nas situações de risco para a mãe e/ou o bebê, sempre com avaliação médica.

Há que se considerar que cada gravidez é diferente da outra, assim a evolução do trabalho de parto pode ocorrer de maneira completamente distinta.

 

Elisa Schwinden França | Bilila Baby 

tel. 11 94737-2311