Treinador de Mães

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Ao me deparar com a matéria “Mulheres procuram treinador de mães”, publicado pelo Estadão há um tempo atrás identifiquei imediatamente a semelhança das queixas que aparecem aqui no consultório de psicologia. A matéria relata a angústia das mulheres em buscar orientação com um profissional “coach” para melhor conciliar o papel profissional e o materno.

Geralmente essas atitudes envolvem o desejo de orientação em relação a educação dos filhos e o desafio de manter a individualidade (departamento profissional, pessoal). Quando uma pessoa busca atendimento e orientação é porque ela identificou uma angústia ou uma problemática.

Na reportagem, essa problemática leva a definição de meta no trabalho de coaching. Já no ambiente clínico, psicoterapêutico, identifica-se a queixa e busca-se o alívio dessa angústia e o alcance do equilíbrio emocional.
Compreendi que esse processo de “coaching para mães” pode ser pontual, prático, objetivo e direcionado para a administração dos papéis específicos: mãe e profissional. No processo terapêutico esse cuidado engloba toda a dinâmica psicológica da pessoa, ou seja, envolve os distintos papéis que ela atua na vida.

Independente da metodologia, profundidade e ferramentas de trabalho, o que gostaria de dividir com vocês é o motivo pelo qual essa busca pelo “treinador de mães” tem ocorrido!

Hoje vivemos mudanças intensas de valores e contextos externos e que interferem na nossa atuação como mãe e pai. O modo como nossos pais nos educaram, com posturas firmes, definidas, com regras se adequaram e tiveram sucesso. Entretanto não podemos repeti-las, uma vez que o externo se modificou juntamente aos valores.

Sendo assim, a angústia dos novos pais é ter que CRIAR metodologias e posturas, questionar e identificar os próprios valores, e não simplesmente REPETIR o que foi passado pelos progenitores. Aqui localiza-se o conflito e a sensação de desorientação.

O que é extremamente importante destacar é que no processo psicoterapêutico nós cuidamos de todo o “armário” da pessoa, identificamos “as roupas” que servem, que são úteis, fazem sentido e buscamos substituir e desenvolver as outras peças que a levem para o alcance de objetivos e equilíbrio emocional. Assim, é feita uma organização geral, da cabeça aos pés!

Ambos os trabalhos são possíveis de serem realizados pontualmente, visando melhoras para o futuro, sem se deter ao conteúdo do passado, como algumas linhas de trabalho da Psicologia. Na análise psicodramática – linha e técnica de trabalho que sigo – o foco é sempre o presente com proposta de melhoras para o futuro.

Dica do dia: identificar a existência do desconforto e buscar orientação é o caminho correto!

No meu olhar a escolha pelo tipo de trabalho depende do interesse e disponibilidade interna da pessoa de olhar para todo “o seu armário” e viabilizar mudanças ou apenas para uma gaveta pontual.

Fica a dica: quer cuidar do todo ou da parte.

 

Juliana Buchatsky Kruglensky | Psicóloga Clínica

Cel.: (11) 99530-9034

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