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Mamis Queridas!

Resolvi inaugurar minha coluna com um assunto muito em pauta, a Obesidade Infantil. O Brasil é o 5º país em número de obesos do mundo, e essa estatística, infelizmente, inclui as nossas crianças. Apesar de serem consideradas “fofinhas”, as crianças obesas têm maior risco de desenvolver doenças crônicas graves, como diabetes tipo 2, doença coronariana, apneia do sono, além de problemas de baixa autoestima e suas consequências.E, como o tratamento é difícil (atire a primeira batatinha quem nunca precisou fechar e boca e se privar), tenho focado muito na PREVENÇÃO.

O básico vocês já sabem, está na “Boa Forma” todo santo mês, e se resume à matemática de equilibrar uma alimentação balanceada (calorias que entram), com atividade física (calorias que saem).   Entre fatores responsáveis por moldar a forma de se alimentar das crianças e desenvolver seu paladar, um dos mais importantes é a SACIEDADE. Como nós ficamos saciados? A sensação de saciedade se manifesta após o consumo de alimentos, e suprime a fome por certo tempo. Dois tipos de estímulos desencadeiam essa sensação: a mastigação (portanto, quanto menos pastoso, mole e ”miojo” o alimento for, mais rapidamente a saciedade aparece) e a distensão do estômago. Essa última demora mais para aparecer, portanto, caprichar na mastigação é sempre um bom investimento!As crianças pequenas normalmente comem antes dos adultos, assim, quando você faz o prato do seu pequeno, você já está com alguma fome, mesmo que não perceba.

E você está mexendo na COMIDA, sentindo o cheiro da COMIDA, e talvez até provando a COMIDA, certo? Eis que o prato do seu pequeno (de 6m, 1 ano, 4 anos…) vira, sem que você se dê conta, um PF de operário. Seu filho começa a comer com vontade, e lá pelas tantas, já SACIADO, mostra que “já deu”. Nesse momento, como uma excelente mãe, você se desespera, achando que aquela pequena criatura vai morrer de inanição, certo??!? E aí ajoelha no milho e suplica para seu filhote comer mais 2 colheres. No inicio ele recusa, no entanto, depois da 18º tentativa, ele descobre que ou abre a boca, ou verá uma mulher à beira de um ataque de nervos, ligando para a vovó ou perguntando para a mulher do zelador o que fazer. Essas duas colheres não são nutricionalmente relevantes para seu filho.

Ao contrário, elas o ensinam que ele não precisa respeitar suas sensações e sim os estímulos externos. Afinal, apenas depois de raspar o prato é que ele ganha os parabéns.Jogar 3 colheres de comida fora custará, a médio prazo, muito menos do que comê-las. Alguns anos depois, ele será aquele adolescente que termina o saco de cheetos (você nunca compraria isto…) vendo TV. Ele irá parar de comer porque o alimento (ou o programa) acabou, E não porque a fome acabou.Se seu filho é uma criança saudável, respeite sua saciedade, faça/use um prato menor. Tem comida em casa? Então, ele não vai morrer de fome. No máximo, vai pedir para repetir!!!  Um beijo grande a todas,
Dra. Ilana Holender Rosenhek