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SE DORMIR BEM,  QUE MAL TEM?!

Se o seu filho chora quando está com sono e, mesmo cansado resiste bravamente a adormecer, então…  Ele é perfeitamente normal. Aliviada? … Mas isto não refresca o seu cansaço.

Dormir para o bebê e para a criança (isto se estenderá até a adolescência) é considerado perda de tempo.

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Até os seis meses, este ato pode até ser difícil porque, por ser o bebe ainda imaturo,  pode haver muitas sensações desconfortáveis.

Depois desta fase, a luta para dormir é travada justamente pelo fato de que ficar acordado é muito mais divertido. Para eles a vida é movimento, agitação, cores, sons, imaginação e muito mais. Além disso, é estar perto de quem sempre dá carinho, como mãe, pai, avó ou até mesmo a babá. Então dormir é justamente apertar a tecla “Off” no auge do filme de ação. Sendo assim, na visão das crianças, elas têm todo o direito de se revoltarem ao ir para a cama, mas isto não significa que podem permanecer acordados a noite toda.

Então a luta é cruel para todos os envolvidos: de um lado um bebê ou criança cansada, irritada, insistindo em se manter acordado, do outro, uma mãe exausta, sonhando com a sua cama quentinha (vou me centrar nas mães, mas isto se estende ao pai, avó, babá ou outros cuidadores). Nesta batalha, vão se criando entre os dois lados estratégias para cada um conseguir o que quer e no final… O derrotado é sempre o mais cansado!

Na minha experiência profissional já vi as mais variadas ”armas” das famílias, principalmente para as mães conseguirem clicar a tecla “off” de seus filhos. Colo, passear de carrinho ou de carro, dar a mão, cotovelo, lóbulo da orelha, até os cílios, ou, ir para a cama dos pais, etc… Fiquem tranquilas não há CERTO ou ERRADO, mas sim O QUE ESTÁ DANDO CERTO E O QUE ESTÁ DANDO ERRADO. Lembre-se: Mãe não comete erros, tenta sempre acertar!

Pensando desta forma, vamos refletir sobre esta analogia: sempre comi dois, três chocolates por dia, e eu não engordava com isso, meus exames de rotina eram normais. Eu estava errada na minha deliciosa atitude? Tinha amigas que só de cheirar um doce engordavam, então… Sorte minha, azar o delas! Até que, chegando perto dos 40, isto mudou de figura e já não estava mais dando certo e assim tive que, na marra, mudar este hábito.

Então, se seu filho precisa mexer no seu “cotovelo “ para se desligar do mundo e depois dorme a noite toda, maravilha! Cotovelo é tudo de bom… Mas se no meio da noite ele acorda e quer o seu cotovelo para se entregar ao sono novamente e isto se repete madrugada a dentro… então o cotovelo se tornou um hábito que não está dando certo e  é hora de mudar!

O receio das famílias em mudar é achar que negar o cotovelo significa rejeitar o filho ou negar amor e carinho a ele e isto nenhuma mãe obviamente quer.

Nas visitas a domicílio ás famílias desesperadas, presencio em loco as situações de mudança de hábito e, quando a criança já sabe falar ela mesma deixa clara a sua posição.

Certa vez, numa família em que um menino de dois anos sempre dormia na cama dos pais ,_até que, em dado momento isto passou a atrapalhar as noites da família, fui acionada a ajuda-los a alterar este cenário. Então a primeira mudança necessária foi de apresentá-lo ao seu quarto e claro, `a sua cama, como o novo lugar de se dormir dali para frente. Para esta primeira etapa, nem tirei a mãe do quarto. Ela ficou ao seu lado todo o tempo até ele adormecer. No entanto, mesmo com a mãe praticamente grudada nele, o menino gritava na cara dela: QUERO CAMA DA MAMÃE! Então este choro não era de carência e sim de revolta. A mesma revolta que senti quando tive que trocar o meu chocolate prestigio pela barrinha de cereal integral.

Outra criança de um ano de idade precisava da mão da mãe para dormir e isto era necessário várias vezes á noite. Para mudar o hábito, insistimos em substituir a mão dela pela do Mickey… Não foi fácil… Mas neste processo a criança não ficou sozinha no quarto.  Chorava não pela mãe, mas pela negação da mão. Aos poucos se apegou ao Mickey e a mãe via pela câmera ele acordando de madrugada pegando a mão do boneco e voltando a dormir sem precisar chamar por ela… Que sossego!

A mesma coisa com a chupeta… Sou super a favor enquanto for uma estratégia saudável e positiva. Entretanto, quando o dentista insistir em retirá-la, o que estava dando certo já não serve mais.  Nesta hora vem a culpa própria das mães: e se eu não tivesse dado a chupeta desde bebê? Sai desta! É a mesma coisa do chocolate… Eu nunca teria me privado do enorme prazer dos meus chocolates diários dos últimos 30 anos pelo fato de que hoje eu não possa mais come-los sem engordar.! Que seja infinito _ o hábito_ enquanto der certo.

Mamães e papais, sejam livres para fazerem as suas escolhas, mas não se tornem reféns das consequências. Se não estiver (mais) dando certo não tenham medo de mudar… O bebê e a criança, tendo amor, carinho e limites se adaptam ás mudanças mais facilmente do que nós imaginamos.  O QUE IMPORTA  ‘E QUE  TODOS  DURMAM BEM!

Deborah Moss

Neuropsicológa,

Mestre em psicologia do desenvolvimento pela USP,

Especialista do programa Doces Sonhos

www.horadenanar.com.br