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Constitui fonte significativa de desconforto para a criança. O uso da fralda ocasiona aumento da temperatura e da umidade locais. Há conseqüente maceração da pele, que se torna mais susceptível à irritação ocasionada pelo contato prolongado da urina e das fezes. Freqüentemente surge infecção secundária por Candida albicans (fungo)ou por bactérias.

 

Em bebês com dermatite da área das fraldas, o mais importante é prevenir. A remoção da oclusão ainda é a melhor forma de prevenção e tratamento. Para isso, recomenda-se um conjunto de medidas que têm como objetivos principais manter essa área seca. Para tanto é necessário evitar irritação e maceração, limitar a mistura e dispersão de urina e fezes, reduzir seu contato com a pele, o que ajuda a preservar a função de barreira cutânea. Procura-se dessa forma, eliminação ou minimização de todos os fatores implicados na causa da assadura.

Assim existem quatro aspectos fundamentais na prevenção da dermatite da área das fraldas:

 

  1. Freqüência da troca de fraldas

 

Devem-se trocar as fraldas sujas de urina com freqüência, a fim de que a capacidade de absorção não seja superada, evitando contato da urina com a pele. As fraldas com fezes precisam ser trocadas imediatamente. Em recém-nascidos, a troca deve ser horária, e nas outras crianças com três a quatro horas de intervalo.

 

2.Capacidade de absorção das fraldas

 

Atualmente, a maioria das fraldas comercializadas contém material acrílico em gel superabsorvente, eficaz em manter a área da fralda seca e em meio ácido. Algumas fraldas mais modernas são compostas de substâncias capazes de seqüestrar líquido em até 80 vezes seu peso molecular, como é o caso do poliacrilato de sódio, que se transforma em gel (geleificação.

Apesar dessas especificações, a fralda descartável determina efeito oclusivo maior do que o das fraldas de pano, não eliminando o contato da pele com as fezes. Por isso não se deve manter a mesma fralda por períodos mais longos.

Funny little baby wearing diaper running in summer garden

 

  1. Controle de infecções

 

A Candida albicans contamina, freqüentemente, a dermatite da área da fralda, sendo a principal complicação da doença. A infecção por essa levedura deve ser considerada e tratada em dermatites com mais de três dias de evolução.

 

  1. Higiene diária e preparações que devem ser evitadas

 

A higiene da pele da área da fralda apenas com água morna e algodão, sem recorrer a sabonetes, é suficiente na limpeza diária da urina. Desse modo, é desnecessário lavar com sabão toda vez que a criança urinar, o que ocorre numerosas vezes ao dia, pois pode acarretar dermatite de contato pelo sabão. Para as fezes, sabonetes brandos e neutro são recomendados. O uso de lencinhos umedecidos pode ser útil somente em situações de locomoção. Deve-se sempre ter em mente que eles contêm sabões, e que, o contato continuado com a pele, pode lesar a barreira cutânea, provocando dermatite das fraldas.

 

Para evitar a umidade excessiva da área das fraldas, minimizar as perdas de água e diminuir a permeabilidade da pele, utilizam-se cremes de barreira ou pastas mais espessas e aderentes, à base de óxido de zinco (Hipoglos, Desitin, dentre outros), e amido (Maizena) ou cremes com dexpantenol (Bepantol). Esses produtos podem ajudar a prevenir o contato das fezes com a pele já danificada, pois aderem à epiderme. Não são facilmente removidos com água, mas sim com óleos e não devem ser retirados a cada muda de fralda para não irritar a pele. Sua utilização pode ser dispensada se as medidas de higiene e troca forem executadas com freqüência. Realmente, não se sabe se os aditivos presentes em alguns desses cremes de barreira (por exemplo, vitaminas) melhoram sua qualidade. Além disso, alguns aditivos, conservantes e aromatizantes presentes nos cremes protetores podem ter efeito de oclusão, levando, indesejavelmente, à dermatite da área das fraldas.

 

Algumas preparações devem ser evitadas: as que contêm ácido bórico pelos riscos de toxicidade, tratamentos caseiros, com clara de ovo e leite, por seu poder alergênicos e produtos com corantes e anilina.

 

É comum o relato das mães que o quadro se torna mais frequente na fase da dentição.  Essa relação existe mesmo. Não se sabe o motivo, mas quando se inicia o crescimento dos primeiros dentinhos, as fezes tornam-se mais ácidas e é comum a frequência das dermatites das fraldas nessa fase. A orientação é intensificar as medidas preventivas como aumentar a troca das fraldas e uso de creme de barreiras.

Manter a calma e muito carinho é fundamental para que nossos bebês apesar de sentirem algum desconforto, sintam-se seguros e felizes.

 

Dra Thaís Berti Franchin

Dermatologista especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia e mãe do Matheus (3 anos) e Raphael (2 anos).

 

Clinica Derma Cuore

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