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Muitas vezes a idealização do quarto do bebê ocorre muito antes da mulher se quer engravidar, é quase que a escolha do vestido de noiva antes mesmo de saber com quem irá se casar.

Neste tópico abordaremos a importância do quarto infantil no processo de desenvolvimento da criança, ao contrário do que acontece atualmente o quarto possui um papel fundamental na vida prática da criança e faremos essa abordagem com base nos princípios de Maria Montessori.

Entendemos que educar não é tarefa exclusiva da escola, é uma tarefa coletiva, da escola, da família, dos amigos e da comunidade que estamos inseridos.­­ É possível notar que criou-se um abismo entre escola e família e também um duelo entre aprender e o prazer em aprender.

Montessori propõe uma educação que inclui vida prática, varrer, limpar e lavar, é tão importante quanto aprender matemática. Essa Pedagogia não fica restrita à sala de aula, ela extrapola as paredes da escola e alcança a vida, o dia a dia.

Essa prática tem uma preocupação muito grande com o domínio do corpo, que é a capacidade de controlar os movimentos, indispensáveis na maturação da criança e para a aprendizagem.

Conhecendo e compreendendo o meio em que circunda, a criança começa agir livremente. Este meio deve proporcionar uma sensação de harmonia e ordem, esta ordem é uma proposta de tranquilidade e prazer.

…não é a de quatro paredes, entre  as quais as crianças são confinadas, mas a de uma casa onde possam viver em liberdade para aprender e crescer. Essa idéia implica a necessidade de preparar para as crianças um mundo seu, particular, onde elas possam encontrar atividades condizentes com seu desenvolvimento físico e mental. (Montessori, 1961, p.17).

Do ponto de vista montessoriano, o ambiente deve ser preparado para a criança de forma que possa lhe ajudar nas tarefas da vida prática. O que ocorre atualmente é exatamente o contrário, mas entendemos que pode ser por falta de conhecimento dos futuros pais. O ambiente preparado para a criança é um ambiente simples, o quarto é o ambiente onde a criança passará mais tempo em seus primeiros meses de vida e a família precisa entender que a decoração atual não condiz com o desenvolvimento da criança.

Quando a mulher engravida ela pensa no tema que o quarto irá receber, suas cores, as pelúcias, os móveis que farão parte da decoração e não entende que o quarto deve ser decorado para a criança. A primeira quebra de paradigma neste caso é exclusão do berço, pois o berço é um limitador de estímulos, é por isso que quando a criança acorda ela chora. Dentro do berço ela não pode explorar seu ambiente. Montessori indica que a decoração do quarto seja ao alcance da criança e sua cama seja baixa para que ela possa explorar o ambiente quando acorda. Vale ressaltar que a segurança deve ser colocada em primeiro lugar e para os bebês, deve-se colocar uma proteção ao lado desse colchão ou cama baixa para que se evite um acidente. O fato é que a criança independente da sua idade quando sai de sua cama mesmo se arrastando ela percebe através do tato a deferença de textura e sabe identificar que aquele espaço não é sua cama.

O quarto deve ser segmentado, ou seja, deve ser dividido em espaço para brincar, leitura, espelho para autoconhecimento do corpo humano, organização dos brinquedos e aconselha-se uma pequena arara com algumas peças de roupas para que a criança possa praticar sua autonomia e escolher o que quer vestir desde pequena. Incluir a rotina para utilização desses espaços é fundamental para o desenvolvimento infantil.

Oil pastel crayons lying on a paper with painted family

Seguindo essas premissas de Montessori, o quarto será um ambiente amado pela criança, cuidado e organizado por ela. Os pais assim como os educadores possuem um papel de mediador, escolherá os brinquedos adequados e cuidará da segurança e provocará os estímulos para aprimorar o desenvolvimento da criança.

Com base nessas orientações, fizemos a adequação de um quarto infantil de uma criança 1 ano e meio, saudável e muito esperto. A criança tinha o seu quarto com decoração convencional, mas não sentia que ali era um espaço para brincar e aprender. A atitude dele de espalhar brinquedo por toda a casa, por exemplo, e a ausência de brinquedos no quarto demonstravam que para ele aquele era um lugar para chegar pegando no sono, acordar e já sair de lá bem rapidinho.

Criança aprende brincando e aprende com as interações com o mundo à sua volta. O pequeno aprendiz também precisa de rotinas organizadas e de um espaço estimulante para chamar de seu. Foi então com a ideia de design aliado à educação, que readequamos o quarto tradicional o ao design lúdico com inspiração na educação renovada e métodos psicopedagógicos. Sem a necessidade de novas aquisições, transformamos o tradicional em funcional. Tudo muito simples, mas bem fundamentado e planejado. Desmontamos o berço e fizemos dele uma caminha acessível; resgatamos os brinquedos espalhados pela casa e criamos o espaço para brincar e aprender; implementamos o quadro educativo de rotina, com direito a recompensa, e tudo ficou ao alcance da criança. E essa é a ideia. A primeira reação da criança foi gratificante: o novo ambiente despertou a curiosidade dele. A curiosidade é o primeiro estímulo para desenvolvimento e aprendizagem infantil. Passado um mês desde a readequação do ambiente e da rotina, a família já experimenta mudanças no dia a dia. A hora de dormir, que muitas vezes superava a meia-noite, agora acontece perto das 22h; a criança tem hora para brincar e aprender, descansar e participar dos preparativos para sua alimentação e banho, por exemplo

Vivian Mozas

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