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Há tempos que quero escrever sobre ser mães de gêmeos. Não, não quero escrever sobre amor em dobro, trabalho em dobro ou gasto em dobro. Tampouco quero escrever sobre as opiniões e comentários alheios (muitas vezes divertidíssimos). Quero escrever sobre comparação. Afinal, quem tem dois compara.

Desde que me descobri grávida, meus dias passaram a ser de leituras e mais leituras. Fiquei praticamente a gravidez inteira de repouso, então ler era meu passatempo. E a leitura não era de livros didáticos (devem ser ótimos, mas não tenho paciência pra eles), mas sim, de mães. Mães que escrevem. Mães que perguntam. Mães que opinam. Mães que compartilham. Mães que comparam… E se comparam!

Todas as leituras me ensinaram muito (quando iria imaginar que a posição do pipi na fralda fazia diferença?!?), mas também me criaram expectativas. Expectativas no desenvolvimento, expectativas para cada fase do meu bebê (doS meuS bebês, no caso): quando vão me olhar? Vão dormir a noite inteira? Será que vão mamar direito? E a papinha? 1º dente? 1ª palavra? Quando? Como? Onde? Por que?

Meus filhos nasceram prematuros. Por isso, desde o início, me avisaram para não compara-los com outras crianças, pois o desenvolvimento de prematuros é diferente de bebes a termo. Ok, não compararei com outros, mas, tenho dois pra comparar oras. Dois que tiveram a mesma gestação, que vivem no mesmo ambiente, mesmo quarto, mesma mãe, família, baba, clima, educação. Mesmo tudo. Tudo mesmo.

No começo eram até que parecidos. Um tinha mais refluxo e o outro mais gases, mas, no geral, faziam a mesma coisa: mamavam, choravam e dormiam.

Com uns 3 meses é que as coisas começaram a se diferenciar. Os olhares, as risadas. Um fazia mais isso, outro aquilo. Um era mais sorridente, o outro mais carinhoso. Uma das grandes diferenças estava no sono e nas mamadas: meu filho mamava 5x por dia, enquanto minha filha, 8x. Ele dormia 12 horas seguidas, ela no máximo 5. Meu filho era viciado em chupeta. Minha filha jogava loooonge. Quando tinha que dar mamadeira, ele mamava 210ml, enquanto ela 80ml (isso que a diferença de peso deles é de apenas 300g!!).

Eu não os comparava (e não comparo) com outros bebes, mas entre os dois era quase que inevitável. Eu ch10egava no pediatra dizendo “ela não mama nada”, “ela não dorme direito”, “ela não pega mamadeira”. E ele sempre frisou, “Como ela não mama?”. “Ué, ele mama 210ml e ela 80ml…”. E a resposta era sempre “Dani, é o tamanho do estômago dela que é menor. Ela está crescendo e se desenvolvendo no tempo dela. Não compare.”destaque

Fácil dizer “não compare”, mas para nós, mães, é difícil ver que outro bebê já faz aquela coisa e o nosso não sem nos preocuparmos. Nos preocupamos sim. No nosso inconsciente (e até consciente) não queremos que ele seja o último a andar, falar, comer. Mas pense: se for, qual o problema? Por acaso no vestibular faz diferença se começou a falar com 10 meses ou 2 anos?

Olhando minhas anotações, vejo que a diferença de evolução deles só aumentou com os meses:

– Minha filha já vira e desvira numa rapidez incrível! Meu filho ainda não.

– Meu filho fica sentado sozinho com a coluna retinha! Minha filha ainda não.

– Minha filha já falou a 1ª palavra (‘mamãe’!!!!). Meu filho ainda não.

– Meu filho mastiga absolutamente todos os alimentos, come de TUDO direitinho e em pedacinhos. Minha filha não.

– Minha filha já tem dois dentes!! Meu filho não.

– Meu filho faz cocô que é uma maravilha! Minha filha não.

– Minha filha dorme sozinha no berço! Meu filho não.

 

E é cada uma dessas diferenças que faz eles serem o que são. Do jeitinho que são. E saber valorizar essas conquistas individuais é muito importante! Já conheci algumas mães que compraram andadores para seus filhos para tentar acelerar o “andar sozinho”. Não faça isso. É criar uma expectativa que pode gerar frustração. Para mãe E para o bebê.

Da minha ainda pequena experiência como mãe de gêmeos, o que posso dizer é que é incrível como cada bebê é único. A cada conquista já vai mostrando suas habilidades e personalidade. Sim, é difícil não comparar; mas tente. Respeite o desenvolvimento e o tempo de cada um (reparem que não tem ordem certa esse tal de desenvolvimento: meu filho que mastiga melhor é o que não tem dente!). Comparações com outras crianças, mesmo que bem intencionadas, podem não fazer bem para criança e, principalmente, PARA A MÃE. Cada um é ÚNICO. E isso que faz seu filho ser SEU FILHO.

 

Dani Skarbnik