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Hoje no Brasil há ainda uma grande dúvida sobre a educação bilíngue para crianças.

São frequentes as perguntas que os pais me fazem em relação ao bilinguismo: Qual a idade certa para se aprender uma segunda língua?  Meu filho vai acabar confundindo e misturando as duas línguas? Vai haver atraso na fala? Não está muito cedo para ele aprender inglês?

Pesquisas realizadas na Universidade de Washington pela Dra. Patricia Khul, coautora do estudo e codiretora do Instituto de Ciências do Cérebro e Aprendizagem, provaram que aprender uma segunda língua nos primeiros anos de vida, enriquece o desenvolvimento cerebral, potencializando a capacidade da criança para todo o tipo de aprendizado. Até os cinco anos de idade as crianças são capazes de incorporar facilmente outro idioma com uma pronúncia similar a de um falante nativo. Se retomado no futuro, o aprendizado será mais simples.

Os bebês criados em famílias bilíngues têm maior capacidade de prolongar suas habilidades de aprendizagem linguística em comparação com as demais crianças. “O cérebro bilíngue é fascinante, já que reflete as capacidades dos seres humanos para o pensamento flexível. As crianças bilíngues aprendem que os objetos e eventos no mundo têm dois nomes”, disse Kuhl.”

Eu tenho respondido aos pais com dúvidas sobre o assunto, que o aprendizado da linguagem – e os efeitos do idioma que ouvimos sobre nosso cérebro – podem começar mesmo antes dos 6 meses de idade, e isso não vai confundir a criança no futuro, muito pelo contrário. Uma criança exposta a uma segunda língua desde os primeiros meses de vida, tem muito mais facilidade no aprendizado deste segundo idioma que uma criança que já possui sua língua materna “enraizada” no cérebro.

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Ellen Bialystok, respeitada professora de psicologia da Universidade de Nova York em Toronto, mostrou que crianças bilíngues desenvolvem habilidades cruciais além de seus vocabulários dobrados, aprendendo diferentes maneiras de solucionar problemas lógicos ou de lidar com tarefas múltiplas – habilidades que costumam ser consideradas parte da função executiva do cérebro. ”Incrivelmente, crianças que são bilíngues desde cedo mostram um desenvolvimento precoce da função executiva’’, afirmou Bialystok.

Posso afirmar, portanto, que aprender duas línguas ao mesmo tempo desde os primeiros anos de vida, só traz benefícios a uma criança, e não o contrário como muitos achavam até pouco tempo atrás. Além da minha formação em estudos linguísticos, trabalhos com programas bilíngues para crianças e vivência no exterior, a minha maior experiência e estágio sobre a aquisição de uma segunda língua, ou melhor, sobre o processo de bilinguismo, foi com a minha própria filha, hoje com dois anos e cinco meses e cem por cento bilíngue. Mas sobre este trabalho maravilhoso e enriquecedor que fiz com ela, contarei na próxima matéria.

 

Ally de Vitto, formada em Letras, é professora e proprietária da escola de inglês Fun House ESL In Company. 

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