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Muitas pacientes chegam ao meu consultório depois do parto com a mesma queixa: não sentem mais vontade de transar. Isso, por si só, já seria uma questão bem delicada, mas é uma situação ainda mais complexa porque se de um lado há uma mulher que está lidando com a falta de libido, do outro há um homem com o desejo sexual inalterado ou, na maior parte dos casos, com o desejo aumentado devido ao período inicial do pós-parto que ficou sem transar. Então a mulher nessa fase sofre duplamente, primeiro porque lida com a própria falta de libido, segundo porque se angustia com a insistência e muitas vezes a incompreensão do marido.

O que digo para as minhas pacientes e repito agora para você é: relaxe, se dê esse tempo. A primeira coisa a entender é que essa diminuição no apetite sexual é natural e transitória. Explico melhor. Digo que é natural porque quase todas as mulheres passam por isso – apesar de, infelizmente, vocês não conversarem abertamente sobre esse assunto. E isso acontece por vários fatores. No pós-parto e na amamentação há um aumento do hormônio chamado prolactina. O aumento desse hormônio causa uma diminuição em outro hormônio, a dopamina, responsável, entre outras coisas, pela disposição sexual. Isso tudo parece orquestrado pela natureza para garantir a manutenção da espécie. Pense comigo, o bebê humano é um dos filhotes mais dependentes entre os mamíferos. Precisa de cuidados 24 horas por dia por muitos meses para sobreviver. Não à toa, o corpo materno produz essa enxurrada de hormônios para que o foco da mãe seja, pelo menos neste primeiro período, o bebê. Com uma mãe sem vontade de transar, não há o risco de uma nova gravidez, o que garante que esse bebê terá toda a atenção que precisa para se alimentar e crescer. É uma equação que caminha conosco desde nossos ancestrais mais primitivos, desde que o mundo é mundo.

Percebo que uma das coisas mais difíceis nessa fase é a angústia delas por achar que nunca mais irão transar como antes e que a vida sexual delas está condenada ao fracasso. Para! Nada disso. Entenda esse processo como algo momentâneo e seja generosa com você, com sua fase e com seu cansaço por cuidar de um recém-nascido. Antes do que você imagina, tudo voltará ao normal. Talvez agora você esteja se perguntando, tudo bem, Dr., mas e meu marido, o que eu faço para que ele entenda essa fase? Minha sugestão é: Tenha ele como um companheiro e não como um inimigo. Converse e, mais do que isso, leve-o às suas consultas do pós-parto. Provoque a conversa com o seu médico, deixe ele entender o quanto esta situação é natural e transitória. Mais ainda, envolva-o o máximo possível nos cuidados com o bebê e passem por isso juntos. Em breve, muito em breve, tudo será como era antes, ou melhor, tudo será melhor do que antes porque além do sentimento e do tesão que os unem vocês terão algo que não tinham antes, uma família!

 

Dr. Thomas Moscovitz – ginecologista e obstetra

CRM 82581