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Seu filho pensa em fazer exército? Gosta da ideia de ser um(a) soldado(a)?

Pode mandar pra fazer um intensivão em casa.

Durante uma hora, toda manhã, meu lar doce lar transforma-se num quartel. Em vez da “Voz do Brasil” obrigatória do rádio, temos a “Voz da Mamãe” anunciando o início do dia escolar.

É lógico que sempre tentamos começar com algo mais suave como “bom dia”, além das palavras carinhosas que uma mãe normal e calma após uma longa noite de sono diria a seus filhos.

Só que quando os “soldados” começam a tentar barganhar aquele minutinho a mais, que em vez de 60 possui 250.000 segundos, a general-materna começa a latir as ordens: “Levanta!” “Olha a roupa aí!” “Vem pro café!” “Escova os dentes!”

Claro que, como boa autoridade, a general não fica sentada distribuindo ordens! Põe a mão na massa para benefício da tropa, preparando a lancheira, levando a mochila para a porta, penteando o cabelo da menina e dando as últimas recomendações. Depois do vigésimo “não esquece de…” sou recompensada com a revirada de olhos da minha filha mais nova, que, ao bater continência e dizer “sim, senhora!”, me mostra que talvez eu esteja levando o papel longe demais.

Mas quando os dois filhos começam a disputar o mesmo casaco, um acusando o outro de pegar o seu, tenho realmente que resistir ao ímpeto de mandá-los pagar dez flexões!

Enquanto isso, o marido e pai dos soldados assiste à cena do combate com a condescendência de um bom almirante aposentado. Só que como ele fez a gentileza de esquentar o café da tropa, tornando-se dessa forma imprescindível para o bom funcionamento do exército, você sabe que está hierarquicamente inferiorizada no momento.

E depois que as crianças estão paramentadas, alimentadas, andando em direção à porta, onde o marido já segura a porta do elevador, e depois que você cuidadosamente retira a escova que estava pendurada no cabelo semi-juba da sua filha, você deseja com polidez um bom dia aos soldados e fecha a porta, respirando aliviada, soltando a tensão dos ombros. Agora sim a general pode fazer o tão almejado xixi matinal…

#sqn

Toca o interfone: “Mãaaaaaaae, esqueci o caderno na minha mesa, coloca no elevador pra mim??”

Tá esperando o que, general?

Marche!

Pois é… só que algumas horas depois, a ideia de que a general aqui está meramente cumprindo seu dever de mãe se desfaz aos poucos; e dá lugar à crença de ser apenas a Sargento Megera. Não quero que, ao pensar em me descrever, meus filhos só pensem em palavras como “dura” e “brava”… Mas como é difícil encontrar o equilíbrio de ser a mãe que impõe as regras para o bom funcionamento da rotina e ainda assim conseguir manter a doçura, a gentileza que a ligação entre mãe e filho requer como necessidades viscerais. Mas que nunca desistamos de tentar. Nossos filhos merecem esse esforço.

Por isso, amanhã, tentarei o approach “general fadinha”. É um começo. Tamo junto?

 

Claudia Hemsi Leventhal