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A filha deu o primeiro selinho. O filho foi sozinho ao cinema com uma amiga. São situações cotidianas, esperadas, mas que marcam uma nova fase tanto para eles quanto para os pais – que muitas vezes não sabem lidar muito bem com os capítulos que virão a seguir.

Sabemos que há uma evolução natural do primeiro beijo ao sexo propriamente dito. Falando especificamente dos tempos atuais, esse caminho costuma ser um pouco mais rápido do que era há 20, 30 anos, na adolescência dos pais de hoje.

O que devo dizer a você é: sua filha irá transar – mais cedo ou mais tarde; seu filho irá transar – mais cedo ou mais tarde. Talvez não seja do jeito que você idealizou para eles, não seja com o namorado antigo, com aquela garota bacana, mas seja ali, rapidinho, no banheiro de uma festa com o colega de sala que tem a mesma urgência de descoberta que sua filha. Apenas para deixar claro, isso não é uma obra de ficção, hoje, os banheiros das festas dos adolescentes têm muito mais história para contar do que tinham em nossa época – é um fato.

Como ginecologista, quero dizer a você que isso é o que menos importa. Se a iniciação dos seus filhos se dá em casa, no banheiro, na balada, na escada do prédio, no cantinho da praia, desculpe, isso é o de menos. O que importa de verdade é se seu filho e sua filha foram orientados por você a praticar sexo seguro. Se você foi capaz de conversar constantemente com seus filhos adolescentes sobre o uso da camisinha, sobre as doenças sexualmente transmissíveis que podem ser pegas com um simples (para eles isso é simples) sexo oral. A internet tem coisas boas e coisas ruins. Para o seu discurso não cair no vazio, sugiro passear com eles pelas imagens de hpv e herpes genital e bucal, sífilis e gonorréia. Faz parte dos jovens acharem que estão acima de todas essas contaminações. Faz parte da tarefa dos pais, mostrar que não estão. Tanto não estão que o último levantamento sobre AIDS no Brasil aponta que o número de contaminação entre os jovens de 15 a 24 anos cresceu 35,3% em um ano.

Os adolescentes irão transar. Eu como médico e você como mãe ou como pai podemos trabalhar para que essa nova atividade não coloque em risco a saúde deles. Converse abertamente, se coloque como alguém disposto a ajudar para tirar dúvidas, dar informações e se for ao caso levar ao médico para orientações mais específicas. Não dá para sonharmos com filhos virgens, mas dá para termos filhos saudáveis.

 

Dr. Thomas Moscovitz | CRM 82581 | Ginecologista e Obstetra