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Título: Olá

Tudo começou em um momento de reflexão. Ok, a quem pretendo enganar? Tudo começou em uma tremenda crise de identidade no primeiro dia de licença maternidade.

Faço parte dessa Nova Geração X ou Geração Hyppie. Ou como eu costumo designá-la, Geração Sucrilhos. Sou mais nova do que a moçada da Geração X propriamente dita, mas com o mesmo ímpeto de me dar bem na vida cedo. Muito cedo.

E é assim que me apresento, para os que não me conhecem. Me chamo Roberta, tenho 28 anos, sou advogada formada, pós graduada e mestranda. Ok, o Mestrado está trancado, desde que não consegui mais carregar com bom humor minha pesada barriga da gravidez para todo lado. Fala sério, cruzar a cidade às 6 da tarde para esperar a merenda às 21h30 foi se tornando cruel no final da gestação.

 

Comecei minha carreira em um renomado escritório de advocacia e de lá sai por ter feito todo tipo de cagada de uma adolescente encantada com seu primeiro emprego. Aos poucos fui me achando. Rápido, na verdade. Nunca tive muita paciência para esperar me tornar uma samambaia em qualquer empresa.

Me considero uma pessoa prática, penso cautelosamente sobre qualquer mudança, mas quando me decido, me decido. Sempre tive dificuldades de ter um daqueles currículos invejáveis, que provam sua lealdade e comprometimento para com a empresa, refletida em uma única experiência profissional de 12, 15, 18 anos.

Gosto de desafios. Da ideia de cumprir um propósito, uma missão, um objetivo. Acho que por essa razão nunca consegui ficar mais de um ano e meio em qualquer empresa, até meu último emprego, onde realmente descobri minha paixão e vocação – vendas.

Pois bem, aonde realmente me achei foi também o lugar que quebrei minha cara. Feio. Sabe quando você se sente segura? Em casa? Era lá. Meu porto seguro, a continuidade da minha casa – confesso que tiveram dias que tive mais prazer de estar no escritório do que na minha própria casa.

Trabalho em uma multinacional, uma corretora de seguros. Mas como eu rapidamente digo quando me apresento a desconhecidos, não vendo todo tipo de seguros não… de casa, carro… Nada contra, claro. Mas eu vendo seguros para o Mercado Financeiro e Grandes Empresas. Para transações financeiras, financiamentos de grandes projetos, execução desses projetos.

Diria que é o creme de la creme do mundo securitário. Tem um certo glamour, sabe?

Entrei lá em meados de 2010, quando tinha acabado de completar meus 25 anos. Entrei para montar uma nova área. Acho que pouca gente teria a coragem que tive naquele momento, mas, como já lhe contei, sou movida a desafios e aquele pareceu o maior que já tinha encarado até então. Sem equipe, sem orçamento, sem muita experiência de vida, mas com muita coragem. Aos poucos, mentira, novamente rapidamente, fui me encantando e me descobrindo. Os anos foram passando, a equipe veio, o orçamento também, as metas foram sendo batidas e batidas e batidas.

Chegou um momento que eu parei. Parei para respirar. Parei para pensar. E percebi que eu tinha tudo. Um marido delicioso – esse é assunto para outro capítulo, até porque, nossa Lua de Mel foi memorável e digna de ser compartilhada! – o trabalho mais gratificante que poderia imaginar, minha “casa própria” (tão importante para as gerações anteriores e tão óbvia para a minha), meu carro – que era outra paixão e merece um capítulo, senão dois sobre o assunto – amigos, uma família maravilhosa, pais amorosos, viagens, livros… Foi quando me dei conta, me faltava sim um pequeno detalhe para me sentir absolutamente completa aos meus 28 anos.

Me faltava um filho.

Sim, um filho.

E foi assim que entrei nessa jornada sem volta, de trazer um bebê para esse mundo louco! Um filhote que viria para me completar. Para me fazer perder todo o meu controle e me ensinar a mais dura e linda – e clichê – das lições: quando nasce um bebê, nasce uma mãe. E essa é a melhor faceta que uma mulher pode ter.

No meu primeiro dia de licença maternidade me peguei numa crise de choro que me fez perder o ar. Meu marido me acalentou e começamos uma dolorosa conversa.

No fundo ele sabia que toda aquela angustia não era pela chegada do bebê, mas pelo meu medo de encarar o que viria depois. Como ficaria minha carreira profissional? Como ficaria minha vida, nossa vida?

Tentando me acalmar ele disse que eu poderia aproveitar esse breve intervalo para descobrir novas paixões, me dedicar a hobbies outrora esquecidos. Para investir em sonhos antigos. 5.684 ideias surgiram dessa conversa. E diante de tantas, mais tantas opções, durante minha primeira patética crise de identidade aos míseros 28 anos de idade, decidi escrever um livro.

Ainda não sabia ao certo sobre o que escrever, mas as semanas seguintes me clarearam as ideias e com a chegada do meu filho as histórias foram tomando forma. Decidi me dedicar a escrever sobre a Perfeição Imperfeita que é o mundo da Maternidade, contada como ela realmente é.

No meu próximo post, contarei sobre como foi com o bebê nos primeiros 10 dias em casa.

 

Roberta Couto, advogada frustrada, mãe realizada, filha de um jornalista que vai se encher de orgulho ao ver essas linhas aí em cima.