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Antes de Branca de Neve nascer, sua mãe está costurando e fura o dedo na agulha. Enquanto o sangue escorre na neve, ela tem o desejo de ter uma criança com lábios vermelhos como o sangue, pele branca como a neve e cabelos negros como o ébano. Logo depois, Branca de Neve vem ao mundo. No conto é dito que sua mãe morre assim que ela nasce. Mesmo assim, durante a sua infância tudo parece transcorrer sem maiores conflitos. Sua madrasta, supostamente fixada na sua vaidade e necessitando de seu espelho mágico, e seu pai ausente, aparentemente não causam nenhum problema à menina neste período. 
As dificuldades se iniciam quando Branca de Neve desperta para uma nova etapa, a adolescência, e o início da puberdade é percebida pelo espelho mágico: “Branca de Neve agora é a mais bela do Reino”. 

A jovem ainda vivendo a transição da infância para adolescência, não tem maturidade, malícia e nem experiência para perceber a complexidade que este período representa na vida de uma menina, implicando em tantas mudanças físicas e emocionais. É neste período que a madrasta tenta se livrar dela, ordenando que o caçador do reino leve a menina até a floresta e a mate, trazendo como prova do assassinato o seu coração (em algumas versões mais antigas ela pede que ele lhe traga o seu fígado). Mas quando está prestes a cumprir a ordem da rainha, o caçador se compadece da menina e pede que Branca de Neve fuja, trazendo para a madrasta o coração de um animalzinho. 
Branca de Neve sozinha e assustada na floresta procura abrigo e proteção. No início não encontra, dormindo ao relento, mas protegida pelos animaizinhos que ficam ao seu redor enquanto dorme. Ao amanhecer nossa heroína deve passar pelo processo, por meio do qual irá atingir a sua integração. Ela precisa seguir um caminho e começar assim sua jornada, ou seja, sua passagem da infância para a fase adulta, percebendo a importância de conquistar sua autonomia e enfrentando os seus medos e inseguranças na floresta escura. No início, como o conto representa, é muito assustador permanecer sozinha dentro da floresta, mas depois Branca de Neve encontra a casinha dos sete anões, que a acolhe.

Então começa a se sentir mais confortável e segura, participando do dia a dia desses seres da floresta e contribuindo com seu trabalho e com seu esforço pessoal. Constrói assim, gradativamente, sua autonomia e autoconfiança. Apesar de todo progresso, Branca de Neve ainda terá que enfrentar a fúria da Rainha que tenta matá-la mais três vezes. Da primeira e da segunda vez, a madrasta, disfarçada de vendedora, a seduz com mimos e ela se entrega ingenuamente, mas os anões conseguem salvá-la. Na terceira vez, a Rainha disfarçada de vendedora de frutas dá a Branca de Neve uma maçã envenenada, que, ao comê-la, fica com um pedaço entalado em sua garganta e cai desfalecida. Isto pode significar que ela ainda carece de discriminação criteriosa, ela ainda não aprendeu a desconfiar e a diferenciar o bem do mal. Podemos, muitas vezes, observar esta imaturidade nos adolescentes, que inocentemente caem na lábia, de pessoas com más intenções, sem conseguir perceber o que está verdadeiramente por trás. A jovem Branca de Neve, mesmo sendo protegida e orientada pelos anões, ainda não possui malícia e maturidade suficientes para discernir o que lhe oferece risco. 
Desta vez os anões são incapazes de tirá-la desse estado de inconsciência e a colocam dentro de um caixão de vidro, que permanece no meio da floresta, fazendo com que ela permaneça isolada, intocável e distante. 

Um dia, um príncipe passeando pela floresta vê o caixão com Branca de Neve dentro. Fica perdidamente apaixonado e pede aos anões para levarem-na ao seu reino. Ao carregarem o caixão, os servos tropeçam e o pedaço de maçã entalado na garganta de Branca de Neve salta. Logo depois, ela abre os olhos, levanta a tampa do caixão, senta-se e fica viva de novo. Com isso o príncipe a leva para o seu reino. Casam-se com grande pompa e riqueza e vivem felizes para sempre 
E a rainha má?  No conto, dizem que morreu. 


Simbolicamente, o príncipe representa o masculino, a força da ação, que todas as mulheres possuem dentro de si. O casamento indica a união do feminino e do masculino dentro de Branca de Neve. No entanto, esclareço que concretamente não é preciso que se realize um casamento literal para que a mulher se sinta plena e independente. Esses aspectos masculino e feminino existem dentro de cada homem e mulher, e devem se unir em cada um de nós para que possamos realizar a integração do ser. 
Quando o casamento interior é realizado, Branca de Neve se torna uma mulher madura e consciente, capaz de assumir o seu lugar de rainha no seu próprio reino. 
 
(Deixo claro que meu objetivo não é esgotar as possibilidades dos contos de fadas, nem limitar, mas, ampliar e estimular pontos valiosos). 

Adriana Politi | Psicóloga Clinica | Casa de Psicologia

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