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A adolescência é o período onde mais se fazem planos e se vive experiências novas, mas certamente não faz parte deste momento enfrentar uma gestação precoce ou até mesmo ter uma doença sexualmente transmissível.

No caso da gravidez precoce, as causas para que aconteça são diversas, entretanto, independente de quais sejam, a gestação na adolescência é considerada um problema de saúde pública mundial, pois causa riscos à saúde da mãe e tem impactos socioeconômicos, já que grande parte das meninas acaba largando os estudos e, consequentemente, tem maior dificuldade para arranjar emprego.

A cada ano, cerca de 1,1 milhão de jovens engravidam no Brasil, isso quer dizer que quatro entre cinco adolescentes não planejam uma gestação. Atualmente, 65% das mulheres grávidas têm menos de 20 anos, segundo pesquisa realizada pelo Hospital São Paulo. Dados obtidos pela Secretária Municipal da Saúde de São Paulo mostram ainda que 84% delas têm entre 16 e 17 anos.

Estes números trazem grande preocupação por ocasionar sérias consequências à vida das jovens mães, de seus filhos e de suas famílias. Mas engana-se quem acha que o único problema relacionado a uma gravidez na adolescência é a falta de maturidade emocional e financeira dos futuros pais. Na verdade, apesar de não podermos ignorá-los, os fatores psicológicos e sociais são os menores dos problemas.

Foto: Divulgação Juno

A mulher que engravida precocemente pode apresentar problemas graves durante a gestação. Entre eles, vale ressaltar os riscos de prematuridade do feto, eclampsia – condição rara, mas grave, que provoca convulsões durante a gravidez – de rompimento do colo do útero e depressão pós-parto.

Além disso, um estudo feito pela Organização Mundial da Saúde mostrou que recém-nascidos de mães adolescentes tem duas vezes maior incidência de nascer com baixo peso, em relação a bebês de mães adultas.

Outra preocupação referente a gravidez precoce é o risco de abortamento, por se tratar de uma situação inesperada.

 

Diálogo e informação são fundamentais

Para muitos pais falar sobre sexualidade com os filhos, principalmente quando se trata das meninas, está fora de cogitação. Vergonha? Criação? Tradições? Bem, não importa. A questão é que conversar com eles sobre o assunto é essencial. Afinal, é responsabilidade dos pais garantirem que os jovens iniciem a vida sexual de forma segura e bem informada.

Um bom jeito de começar esse diálogo é contando sobre experiências da própria adolescência, por exemplo, mencionando uma dúvida que tinha na mesma idade ou indicando leituras que o ajudaram neste período. É importante também, que tal conversa não vire um monólogo do tipo: “Sente aí e me escute”. A troca de informação deve ser mútua.

Em relação às meninas, é primordial estar presente na primeira consulta ao ginecologista. Não como uma forma de controle, mas de parceria. De mostrar que ela não esta sozinha num momento divisor de águas de sua vida.

Vale ressaltar que o sexo deve ser visto pelos adolescentes como uma responsabilidade, pois eles costumam ver o mundo apenas de forma prazerosa e ignoram a razão. O que também se incluí na lista de causas para uma gestação precoce.

Quando há uma conversa natural, os jovens passam a ter discernimento e tornam-se capazes de evitar situações embaraçosas ou, em outras palavras, sentem-se protegidos.

 

Dr. Thomas Moscovitz | CRM 82581 | Ginecologista e Obstetra