barra

Queridas mamães,

Fui convidada a escrever aqui no Mamis, e espero poder de alguma forma compartilhar experiências e ajudá-las neste periodo de vida tão incrivel, mas também tão complexo. Sou pediatra formada há 12 anos, e também mãe de dois meninos de 4 e 2 anos. Felizmente tive a oportunidade de ser mãe, o que me trouxe alám de muita alegria, a oportunidade única de vivenciar também o outro lado do que exerço diariamente no meu trabalho.

Muitas pessoas me perguntam como é ser mãe e pediatra, e curiosamente sempre paro para pensar como vou responder essa questão aparentemente simples, mas nem tanto.

Conheço algumas colegas que também são pediatras ou médicas de outras especialidades, e sei que algumas se sentiram muito atordoadas com o nascimento dos filhos. Como se tivessem esquecido totalmente o conhecimento acumulado durante anos de prática, e se encontrassem desesperadas diante da própria prole.  Outras tiveram muita ansiedade ao pensar em complicações raras, mas graves, de doenças da infância quando os próprios filhos ficaram com febre ou doentes.

No meu caso, eu percebi que, ao tornar-me mãe, pude aos poucos entender um pouco melhor como as mães dos pacientes que atendia se sentiam em relação ao filho: a angústia que sentiam ao cuidar do bebê doente, a exaustão de passar noites em claro durante meses ate o bebê dormir bem, a sobrecarga de ser mãe, esposa, organizar a casa e ainda trabalhar, como se tivéssemos mais de 2 braços e o dia durasse mais de 30 horas.

Também percebi que algumas crenças arraigadas na formação médica não são necessariamente verdades. Nem sempre o que acontece com a criança, de bom e especialmente de ruim, é culpa da mãe. Talvez pela cultura na qual estamos inseridas, associada a influência freudiana marcante. Parece que ao nascer, damos luz a um bebê de 3kg, uma placenta de 800g e um sentimento de culpa de quase 5kg.

Depois de ser mãe percebi que cuidar da criança é uma tarefa maravilhosa, mas extremamente desgastante.  E a responsabilidade do cuidado com os filhos deve ser sempre compartilhada entre pai e mãe, estando juntos ou separados, e preferencialmente da forma mais cordial possível. Usufruam do convivio com seus filhos de forma leve, percebam a mágica que é ver as coisas e aprender pelos olhos deles.  Num piscar de olhos eles já estarão crescidos e toda essa vivência deixará saudades!

 

Dra. Paula Blatyta | Pediatra e Hematologista Infantil

Rua Conselheiro Brotero, 1505 cj 22 – Higienópolis – São Paulo/SP

Tel.: 3667-2440