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Com a passagem para o Ensino Fundamental II pode acontecer uma queda no rendimento escolar, mesmo em jovens que nunca experimentaram dificuldades de aprendizagem. Com a mudança de ciclo, sai de cena o professor polivalente e entra em campo um maior número de disciplinas e professores. Aumenta o volume de lições de casa e de livros e cadernos para manusear. As exigências de organização e auto-monitoramento só aumentam. Vamos colocando cada vez mais ênfase nas funções executivas dos nossos adolescentes. Estas funções envolvem o estabelecimento de metas, planejamento, organização e monitoramento.

Durante a adolescência, estas funções cognitivas encontram-se no pico de amadurecimento. Isso significa que os jovens irão cada vez mais conseguir dar conta de terem comportamentos dirigidos a metas e que serão cada vez mais capazes de inibir comportamentos indesejados, mesmo na presença de recompensas imediatas. Porém, as habilidades executivas precisam ser treinadas e ferramentas para melhorar o seu desempenho precisam ser ensinadas. É comum que a escola assuma parte da educação de ferramentas de organização/monitoramento. Os pais também podem assumir parte desta tarefa, ajudando seus filhos a organizar o ambiente de estudo e monitorar o seu desempenho.

Neste texto iremos discutir algumas ferramentas que costumo propor aos pais de jovens que fazem sessões de reabilitação neuropsicológica comigo. Falaremos sobre o correto uso da agenda, cronogramas visuais e calendário de disciplinas.

A agenda é a principal ferramenta de organização dos alunos. Eu dou preferência a agendas semanais, ou seja, àquelas que temos, em duas páginas, todos os dias da semana. A vantagem deste tipo de agenda é que o aluno tem uma visão geral de todos os compromissos daquela semana, a cada vez que ele abre a agenda. Isso diminuiu as chances de uma anotação passar desapercebida. Agora, não adianta ter uma agenda linda e semanal se o aluno não tem o hábito de colocar todos as suas tarefas e avaliações neste material. No caso de escolas que usam ferramentas online de calendário também sugiro o uso de agenda física. Muitos professores não costumam colocar todas as informações dadas em sala de aula na plataforma online. Os pais podem usar a plataforma online para avaliar se seus filhos estão fazendo as anotações na agenda física corretamente. Sugiro que pais e filhos sentem semanalmente (em um dia pré-estabelecido na rotina da casa) para verificar a agenda online enquanto as crianças ainda não desenvolverem uma rotina adequada de marcar suas tarefas na agenda física. As anotações devem ser claras, com a disciplina discriminada e o apontamento deve ser feito na data de entrega da tarefa.

Calendários semanais ou mensais com as datas de avaliações e tarefas com nota, podem ser afixados no ambiente de estudo da criança. Por estarem afixados em local visível, não requerem o esforço de abrir a agenda. A informação está sempre à mão para o adolescente e para seus pais. É importante garantir que esta fonte esteja sempre atualizada, se não, não funciona. De posse destas informações, os pais podem ajudar seus filhos a organizarem-se para estudar antecipadamente para as próximas provas. Lembrando que naquelas matérias que os jovens têm maior dificuldade, será necessária uma maior antecipação. Não adianta deixar para a véspera da prova.

Os alunos podem ter alguma dificuldade em organizar os materiais necessários para a realização de tarefas e estudo para provas. Em caso de escolas que fornecem armários ou escaninhos para os alunos, a organização é primordial. Afinal, há um “vai-vem” de livros e cadernos. Sugiro que o aluno tenha um calendário de disciplinas tanto no armário/escaninho quanto em sua escrivaninha. Assim ele poderá se organizar para selecionar os materiais que deverá levar da escola para casa e vice-versa. Olhar a agenda antes de sair da escola também ajudará a selecionar o material que deverá ser levado para casa. Também é importante deixar os materiais pedagógicos organizados no armário ou prateleira, de forma que seja de fácil acesso e visualização.

O que eu sempre friso com os pais é que este começo pode ser mais difícil para alguns jovens do que para outros. A supervisão e monitoramento pelos pais pode ajudar bastante na aquisição destas novas práticas e rotina pelo jovem. Lembrando que a intenção é ensinar os alunos ferramentas de controle que no futuro (esperamos que próximo) serão utilizadas automaticamente pelo jovem, que será cada vez mais autônomo, organizado e responsável.

 

Patricia Rzezak | Neuropsicóloga e Psicoterapeuta de Crianças e Adolescentes

Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo