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Existem vários estudos epidemiológicos publicados que sugerem que amamentação é um fator protetor contra a obesidade, não só na infância, mas também na vida adulta.

Há discussões se é realmente um fator causal, ou só uma relação, por exemplo, bebês que foram amamentados podem ter menos acesso precoce a alimentos calóricos, ou mesmo ter estruturas familiares que são diferentes da média dos bebês que não foram amamentados, etc, etc.

Porém, um estudo fascinante recém-publicado pode nos ajudar a desvendar uma possível causa de proteção contra a obesidade da maior amamentação. Descobriu-se que o leite materno contém uma gordura chamada AKG (alquilglicerol).

Essa gordura, presente unicamente no leite, permite o desenvolvimento, nos bebês, de gordura marrom, uma gordura que gera calor a partir de energia, e que os protege do frio. Mas sabe-se também que mais gordura marrom também pode ser um protetor contra o ganho de peso, pois a energia que seria estocada acaba se transformando em calor e perdida.

Leite de diversas espécies animais contém essa AKG, mas o leite de vaca não! E não há outras fontes na natureza! O estudo estudou roedores, mas também avaliou bebês de mães que haviam amamentado, mostrando uma maior presença de tecido marrom nessas crianças, o que corrobora a teoria.

Mais uma prova que a obesidade tem muitas causas, algumas pouco discutidas, e mais uma evidência a favor do aleitamento materno!

Ref: Breast milk alkylglicerols sustain beige adipocytes through adipose tissue macrophages. JCI 2019

Dr Bruno Halpern | Doutor em Endocrinologia – Faculdade de Medicina da USP / Vice-Presidente FLASO/Departamento Diabetes e Obesidade SBD – CRM-SP 124905/ RQE 55372