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Todos os pais têm boa intenção. Todos erram. Todos aprendem. Pais não devem ser julgados, cada um é um. Assim como os nossos filhos. As crianças são únicas. Escutamos os seus choros desde que eles são pequenos e aprendemos aos poucos a nos comunicarmos.

Quando começam a comer, deparamos com um impasse. Preparamos ou providenciamos a comida com amor, e eles nem sempre comem. Ou não comem como gostaríamos.

Queremos continuar a nos comunicar, a respeitá-los, a escutá-los, a dar voz a eles, mas não queremos ouvir se o que estiverem dizendo for: “não quero comer”, “não quero comer isso”, ou “não quero comer mais”.

Todos nascemos com a capacidade de nos autorregularmos. É simples assim: exceto em casos extremos, a criança come o quanto ela precisa.

Mas por que é tão difícil aceitar quando a criança não quer mais? Por que a gente insiste?

O estômago da criança é do tamanho da mão dela fechada. Não é grande. Temos que confiar nessa capacidade nata de eles se autoregularem, pois, quando insistimos e a criança ultrapassa esse limite próprio, ela vai perdendo a sensibilidade aos poucos e pode ter dificuldade em controlar o apetite posteriormente.

É comum a ideia positiva, que vem de gerações anteriores e não faz sentido, de que “crianças fortes que comem muito bem, repetem e raspam o prato”. Existem crianças magrinhas fortes e saudáveis.

Minha filha Julia, de 11 anos, come como um passarinho. Deve viver de energia solar, a danada. Mas é forte, ativa, rápida, super esportista, vai bem na escola e nunca fica doente.

Já falamos da quantidade. O “quanto” é por conta da criança.

“o que”, “como” e “quando” a criança vai comer são por conta dos pais e cuidadores. O que se vê, infelizmente, é uma inversão de papéis. Os pais querendo decidir o “quanto” e crianças decidindo todo o resto.

O que queremos propor são condições para que os pais façam dos seus filhos protagonistas, mas ainda assim sejam os responsáveis por decidir “o quê”, “como” e “quando”, aceitem o “quanto” e ainda envolvam a criança no processo da alimentação de uma maneira lúdica, que fortaleça os vínculos afetivos. Queremos propor também um diálogo consciente sobre nossas responsabilidades como consumidores e influenciadores de toda uma cadeia produtiva e, acima de tudo, ajudar as famílias a criarem uma próxima geração mais saudável.