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Temos, em nossas línguas (também em menor quantidade no nariz, na garganta, no céu da boca e no esôfago), receptores de sabor chamados papilas gustativas.  

Sabores in natura, como legumes, verduras, frutas, carnes e temperos frescos, despertam e aguçam as papilas gustativas.  

Já o açúcar e o sal, apesar de serem necessários para o nosso corpo em pequenas quantidades, quando ingeridos em excesso, “fecham” e “desanimam” as nossas papilas gustativas 

O mesmo acontece com quem ingere excesso de gordura (mas lembre que a gordura boa é essencial ao nosso metabolismo). 

Famílias habituadas a ingerir alimentos ultraprocessados em grande quantidade e frequência ficam acostumadas com muito açúcar, sal e gordura de baixa qualidade e têm dificuldade em comer alimentos frescos. Querem cada vez mais sal. Mais doce. Mais condimento. Podem até desenvolver compulsão alimentar, pois estão sempre sedentos por mais.  

Perceba que se trata de um vício. Quanto mais você ingere, mais você quer. Se é um hábito, tente reduzi-lo ao mínimo. Consuma alimentos ultraprocessados apenas esporadicamente e, quando cozinhar, vá colocando menos sal, menos açúcar e menos gordura, aos poucos, reduzindo um pouquinho por mês. Será imperceptível. 

Sobre o sabor doce, temos dois conceitos diferentes para discutir. Um é qual o ingrediente usado para adoçar e o outro é a intensidade do dulçor. 

Quando for cozinhar em casa, sugiro adoçar com açúcar (demerara, mascavo ou refinado e, sempre que possível, use as opções orgânicas) em pequenas quantidades ou mel, indicado a partir dos 2 anos de idade.  

Existem produtos ultraprocessados para crianças que têm em sua lista de ingredientes os adoçantes, porém pediatras e nutricionistas alertam sobre o pouco tempo de uso para que se prove se são seguros, portanto escolho para os meus filhos produtos sem adoçantes ou edulcorantes. Confesso que também não gosto do sabor artificial que deixam na boca. 

Outro ponto seria a intensidade do dulçor. Independentemente de ser adoçado com açúcar ou com adoçante, você não deveria acostumar seu filho a um suco ultraprocessado tão doce que ele depois rejeite o suco natural da mesma fruta, pois estará fechando o paladar do seu filho. 

Não queremos fechar o nosso paladar, pelo contrário, queremos expandi-lo. 

Para expandir o paladar, contamos com a incrível diversidade brasileira: uma variedade enorme de alimentos frescos à nossa disposição. A cada coisinha nova que experimentamos, nosso paladar se desenvolve mais um pouquinho. 

Temos também os agentes de sabor: uma infinidade de ervas frescas, pimentas e especiarias. Quando usamos temperos frescos para incrementar uma receita, o sal, o açúcar e a gordura podem ser usados em menor quantidade sem comprometer o sabor final. Por exemplo: um suco de limão batido com hortelã precisará de menos açúcar/mel para ficar gostoso do que um suco apenas de limão. Uma batata ao forno com alecrim precisará de menos sal para ficar gostosa, e assim por diante. 

Aqui vou sugerir muito fortemente que você tenha, se não uma horta, ao menos alguns vasinhos de temperos frescos, que, na falta de espaço, podem ficar até na cozinha. Pode parecer exagero, mas ter temperos frescos à mão, plantados, muda completamente a maneira como seu filho enxerga o processo da alimentação.