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No consultório, quando começo a conversar com as mães sobre alimentos que fazem mal para crianças, ouço muitas idéias coerentes, algumas pré-concebidas e tantos outros mitos. Mas, antes de despejar mil informações técnicas com linguagem e termos pouco acessíveis para leigos, seria bacana falar sobre o óbvio não tão óbvio.

Em nutrição infantil, não devemos restringir o pensamento a calorias e nutrientes. Há questões como formato, textura e resíduos que merecem atenção. Alimentos duros como por exemplo cenoura crua, talo de brócolis, castanhas e alguns tipos de queijo, quando não são bem mastigados, podem levar a engasgo e asfixia. Seguindo o mesmo raciocínio, pedaços de comida muito grandes são perigosos. Portanto cuidado ao cortar carnes, frutas, legumes, massas, nozes, etc. Há também os alimentos com resíduos como casca de pipoca e casca de camarão, caroços como os de azeitona e das frutas, espinha de peixe, temperos como cravo e folha de louro seca, que além dos riscos mencionados, podem machucar a boca ou a gengiva dos pequenos e, em casos extremos, até quebrar um dentinho.

A chave é que se faça a refeição tranquilamente e com supervisão de um responsável, ainda que como mãe sei que nem sempre é possível. A boa mastigação é essencial, e facilitada quando a 1ª dentição se completa, no máximo até os 3 anos de idade.

Por sua definição, não me agrada usar a palavra alimento para comestíveis e bebidas prejudiciais à saúde. Alimentar é nutrir, e estes produtos não têm nutrientes, ou seja, não alimentam. Quando penso em comestíveis e bebidas que devem ser evitados, a primeira coisa que vem em mente é industrializado. Sim, qualquer um. Vou apresentá-los a vocês.

Os ultraprocessados são produzidos a partir de alimentos e fontes orgânicas como carvão e petróleo, adicionados de sal, açúcar, gorduras, proteínas animal e vegetal e substâncias sintetizadas em laboratório que passam por processos de cozimento, secagem, fermentação e defumação entre outros. O objetivo é deixar o produto muito palatável alterando sabor, aroma, textura e cor. Há o aumento de prazo de validade e maior facilidade de venda e consumo.

Nestes processamentos os ingredientes sofrem alteração de composição nutricional, perdem nutrientes, aumentam a quantidade de gorduras, açúcares, teor de sódio e valor energético (calorias). Seguindo a premissa de falar sobre o óbvio não tão óbvio, o caminho é: quanto menos embalagem, melhor o alimento. Vale a pena prestar atenção nos pacotinhos verdinhos e bonzinhos. Por sua estética a maioria nos induz a comprar gato por lebre e comer mal.

Nesta lista incluo biscoitos e bolachas, salgados ou doces, com ou sem recheio; cereais matinais, iogurte saborizados, achocolatados; chocolates; doces; balas; misturas para bolo; barrinhas de cereal; salgadinhos; molhos prontos, temperos prontos, macarrão instantâneo, refeições industrializadas prontas para consumo, sucos de caixinha, bebidas prontas e refrigerantes. Ufa! Não sobrou nada além de frutas, legumes e verduras, então ?

Sobrou sim, os alimentos processados. São alimentos in natura adicionados de sal, açúcar, óleos ou vinagre, que passam por processos semelhantes aos dos ultraprocessados, com objetivos de aumento de prazo de validade e facilidade de venda e consumo. Nesta modalidade é possível fazer boas escolhas como frutas secas, iogurte natural sem aroma ou edulcorante, queijos, pães, peixe enlatado em água, conservas de legumes, legumes e frutas congelados etc.

A melhor dica é: leia o rótulo. Tome cuidado com a informação nutricional, calorias, carboidratos, proteínas, gorduras, sódio, etc, mas tome muito cuidado com a lista de ingredientes. Se houver algum item desconhecido, devolva para prateleira e tente o produto ao lado. A saúde do seu filho agradece.

Mariana Korn

Nutricionista

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