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“A felicidade é algo que você busca. Mas a alegria não. Ela descobre você.” Rabino Jonathan Sacks

O Carnaval terminou há pouco tempo e a comunidade judaica acabou de entrar em Adar, conhecido como o mês mais alegre de todos. É costume dizer que neste mês a nossa alegria aumenta e nos outros meses ela volta à frequência normal porque todos nós merecemos ser felizes o ano todo. Se alguém procura resolver algo complicado em sua vida, o mês de Adar é propício para resoluções certas porque é um período de boa sorte.

Existem dois motivos para estes próximos trinta dias serem tão especiais para celebrar com alegria. A primeira razão é o mês de nascimento de Moysés, grande líder do povo judeu. A segunda justificativa é que no dia 14 de Adar do calendário judaico, que neste ano cairá no dia 9 de março ao entardecer, muitos judeus irão fantasiados para as sinagogas com suas famílias celebrar o não extermínio do seu povo por Haman, conhecido como o primeiro Hittler da História. O nome desta festa é Purim e tem alguns significados importantes.

Neste dia sorteado pelos personagens de nossa história, Purim traz quatro compromissos que temos costume de realizar nestas 24 horas. Uma das práticas  é ir na sinagoga, ouvir  a leitura do Livro de Esther (Meguilat Esther) , além da troca de Mishloach Manot (pacote com pelo menos dois tipos de alimentos), Matanot Laevyonim (fazer doações aos carentes) e o Mishtê (grande banquete alegre e festivo).

A história de Purim aconteceu quando os judeus viviam exilados na Pérsia, durou 10 anos e é contada neste livro dividida em 10 capítulos. Naquela época o Império Persa era muito poderoso e grande com 127 países. A nossa personagem central é a  Rainha Esther, uma mulher judia marcante que salvou o seu povo com muita inteligência e coragem ao conseguir reverter o decreto de Haman que desejava aniquilação do povo judeu. Outra qualidade que se destacava dela era a sua beleza natural única que atraiu o Rei. Em hebraico o seu nome quer dizer “oculto”. Aqui podemos destacar duas curiosidades desta característica. A primeira que ela escondeu sua identidade judaica de seu marido e a segunda é o único Livro que não está escrito o nome de D´us, no entanto sabemos que Ele está presente o tempo todo mediante as diversas ações dos personagens como Mordechai, parente de Esther e grande influenciador do povo judeu na época.

A palavra Purim tem a sua raiz “Pur” que significa sorteio. Outro personagem importante da história é o Haman, o homem de confiança do Rei, mas que era inescrupuloso e consumia uma raiva enorme dos judeus por não se curvarem diante dele principalmente de Mordechai. Assim, sorteou um dia para o extermínio dos judeus. O anúncio desta data fez com que Mordechai aconselhasse Esther a revelar sua orientação religiosa ao Rei, alertá-lo sobre a má índole de Haman e seus planos de massacre. Durante quase um ano, ela se preparou para a grande revelação de sua ascendência e denunciar o inimigo de seu povo. Esta data escolhida se tornou um dia de sorte onde Haman foi levado à forca e o decreto de aniquilação do povo judeu foi anulado. Assim comemoramos com grande alegria a data que os judeus foram salvos e livres para praticar suas leis e costumes como a alimentação restrita. Uma peculiaridade de Esther que demonstra os seus princípios valiosos é que todo o tempo que ela morou no palácio, ela cumpriu as leis da Kashrut e cumpriu Shabat.

Ao estudarmos a história de Purim, podemos tirar algumas lições de vida e trazermos algumas reflexões para o nosso cotidiano. Uma delas é que D´us nos coloca onde precisarmos estar a fim de cumprirmos a nossa missão neste mundo. Após o Rei expulsar a sua primeira esposa do palácio, Esther não queria ser uma das candidatas a posição de Rainha, no entanto Mordechai enxergou nela uma mulher forte capaz de salvar o seu povo de tantas injustiças. Já no poder, Esther poderia ter sido preservada do decreto de Haman, porém não ficou quieta. Ela entendeu que não deveria se omitir e a réplica a todo esse sentimento de fúria do inimigo era reforçar a união do povo judeu quando todos jejuaram e rezaram juntos antes da grande revelação.

Finalmente com esse sentimento de união que desejo um Chag Purim Sameach para todas as famílias com muita alegria!

Daniela Jarczun Fridman – Pedagoga, Psicopedagoga,

Professora de Educação Infantil e

Ensino Fundamental 1, Professora Particular,  mãe do Ariel e Ilan.