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Tempo…

Todo mundo já ouviu falar que criança precisa de tempo. Por que será que isso acontece? Qual tempo é possível e deve ser respeitado? Qual tempo devemos nos atentar? As crianças possuem um ritmo próprio, um ritmo de quem está absorvendo tudo do ambiente e também dando respostas a ele.

Qual o papel do adulto neste momento? Nós devemos dar o tempo, porém somos os responsáveis por direcionar e incluir ritmo na vida de nossos filhos! Separei algumas situações para juntas olharmos para o tempo que as crianças nos pedem…

1) Tempo para se alimentar

Se você não viveu, provavelmente já viu… A criança que demora para comer, os adultos dizem: ele enrola!

O que devemos observar?

Essa criança não come por estar sem fome? Ou essa criança está com muitos estímulos distratores? Celulares, tablets, televisões ou até muitos assuntos na hora da refeição podem tirar o foco da alimentação!

E agora, respeito? Ou coloco ritmo?

Observe o ambiente, a fome, a frequência e a intensidade que esse hábito de alongar demais a refeição acontece. Observe também se o ritmo do adulto é adequado e saudável! Se tudo estiver de acordo, faça alguns combinados com seu filho …vocês podem um dia cronometrar o tempo! Mostre que a comida esfria e não fica tão gostosa, que esse hábito está sendo estressante… Refaça os acordos de forma que eles sejam bons para todos!

2) Tempo de brincar

“Aí Mãe mas já?! Nossa nem brinquei!” De novo, quem não ouviu, vai ouvir! Rs

Brincar é tão sério para a criança, permite a ela desenvolvimento de muitas habilidades, inclusive as cognitivas! Por isso brincar passa rápido, brincar é envolvente, é mágico e revelador, conta ao adulto sobre este mundo que a criança está percebendo e construindo dentro de si! Então como podemos conduzir? Seguem algumas dicas:

  • A hora de guardar faz parte da brincadeira! Então mudamos a frase para: “Agora faremos a última parte da brincadeira: vamos guardar!”

Está pequena mudança, já traz maior disponibilidade da criança, mudamos a ideia de: acabou a brincadeira e vamos guardar! A ideia passa a ser ainda temos um tempinho, além de que podemos acrescentar o guardar igual tartaruga, igual a um coelho, uma lebre…Enquanto a criança guarda, ela vai se organizando para este fechamento!

  • Evitar avisar que o tempo terminou na hora que terminar! Avise que o tempo está acabando, que a criança ainda tem x minutos! Aos poucos ela vai construindo seu relógio interno e percebendo este tempo…lidando melhor com ele!

 

3) Tempo de processar a informação, responder e executar

Ás vezes nós adultos falamos algo para a criança e queremos respostas imediatas, contando que o processar daquela informação acontece da mesma forma que dentro de nós, porém crianças não são assim. Crianças são extremamente presentes ao que fazem, nem sempre nos escutam realmente e muitas vezes, necessitam de um tempinho maior para a execução!

Uma vez pedi que meu filho que pegasse um objeto que ele tinha jogado no chão. Ele me olhou, demorou uns 3 minutos e pegou. Só que nestes 3 minutos, internamente eu estava: ” Esse menino não me obedece! Se nesta idade não me atende o que fará maior…” Mil pensamentos foram criados e ele apenas processando o que eu havia dito.

4) Tempo de aprender (este merece atenção e cuidado!)

Este é um tempo delicado, sabe a frase: “Cada criança tem seu tempo! O filho da vizinha da amiga demorou mais que ele”. Pode ser que seja isso, mas pode não ser. Pode ser que essa criança esteja sofrendo internamente e não saiba falar, se colocar. Como saber?

Para isso é muito importante conhecermos sobre a faixa etária, conversarmos com a escola, a professora ou especialistas da área, pois os estudos contam o que podemos aguardar ou não.

5)Tempo para se acalmar e lidar com suas emoções

Este é um tempo interessante, vamos relembrar a última vez que ficamos nervosos? Quando tempo demorou para você se acalmar? Muito ou pouco?

É muito comum que as famílias queiram que este tempo seja curto, dizem às crianças: “Olha chega! Isso já foi resolvido”. Quando agimos desta forma, não permitimos que nossos filhos criem estruturas internas para lidar com a situação e aprendam apenas a deixá-la de lado. Essa postura pouco favorece a inteligência emocional que ajudará em situações de conflitos, por isso até hoje observamos muitos adultos que possuem dificuldade de lidar com suas emoções! E o que fazer? Meu filho chora sem parar!

  • Faça pequenos combinados com ele, demonstre que você acolhe suas emoções, ofereça seu colo para ele chorar mais um pouquinho.
  • Determine um tempo! Olha nós acertamos essa situação e vou te dar 5/10 min para chorar, depois disso vamos fazer outra coisa?

Desta forma, acolhemos, respeitamos e também colocamos um limite gentil para que aquela emoção não tome proporções maiores.

O tempo é para se respeitar, para acolher e também para se cuidar! Na criação dos filhos devemos estar sempre nesta balança do equilíbrio, tempo e atenção ao tempo!

 

Dúvidas? Me escreva!

Beatriz Montenegro

Neuropsicopedagoga

@refletirparaeducar

(11) 992281801