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Muito se fala sobre o adolescente “ser preguiçoso”, dormir o dia todo, etc. Mas, será que isso é uma verdade? Um dos grandes mitos que temos é o sono na adolescência.

Vamos aos fatos: o nosso ritmo biológico é orientado pelo ciclo luz/escuro, que é a principal fonte de informação do corpo sobre horários.

A secreção do hormônio melatonina se inicia no escuro e é inibida pela exposição a luz.

A mesma passa pela retina para o núcleo localizado no cérebro denominado supraquiasmático, que é considerado o relógio central do nosso organismo.

Assim sendo, a melatonina passa a ter seu pico de excreção mais tarde nos adolescentes, atrasando a sua sensação de sono.

O hormônio cortisol, liberado pelas glândulas suprarrenais é responsável por nos manter em alerta durante o dia, e nos adolescentes também apresenta secreção tardia, levando ao despertar tardio, e muito sono logo de manhã.

Há evidências de que os adolescentes, na maioria das sociedades industrializadas, não atingem as horas diárias de sono recomendadas durante o período escolar, o que é consistente com estimativas de que, nos últimos 100 anos, o sono encurtou em cerca de uma hora, nos adolescentes.

Preconiza-se que a exposição à luz durante a noite aumenta os riscos de doenças, contribuindo para a desregulação desse ciclo diário comportamental e biológico.

O adolescente é um ser biologicamente programado para dormir e acordar mais tarde, sendo que, na maior parte da manhã, seu cérebro não está em estado de vigília.

Isso ajuda a explicar a fama de dorminhocos, principalmente no período da manhã (que é justamente o período de aulas, que em geral, começam cedo).

Junto a isso, o recente uso excessivo de telas e intensa atividade social acabam contribuindo para a diminuição de tempo de sono noturno em adolescentes e consequente sonolência diurna.

Adolescentes devem dormir de 8 a 10 horas por dia.

Caso não cumpram esta carga horária recomendada, também aumenta o risco de acidentes, lesões, hipertensão, obesidade, diabetes e depressão.

Em 2012, a Associação Médica Americana emitiu uma nota relatando preocupação com o ALAN (artificial light at night, luz artificial à noite), como fator de risco para alterações de humor e outras doenças, como neoplasias e obesidade.

A adolescência é bastante estudada por ser considerada chave para o início de transtornos mentais pelas alterações hormonais e cerebrais, ou seja, é uma fase fundamental para identificar fatores de risco.

Num famoso periódico médico internacional, “JAMA”, de 1 de julho de 2020 foi publicado um artigo interessante sobre o sono em adolescentes.

No mesmo, foram abordados os seguintes tópicos.

Sono é um fator chave para o desenvolvimento de transtornos mentais. É fundamental para o funcionamento do sistema nervoso central, ocupando um terço de nossas vidas.

O sono pode ser um dos principais marcadores do funcionamento cerebral e da saúde mental.

Da mesma forma, o sono adequado na infância é fundamental para um bom funcionamento mental e cognitivo.

Potencial associação de sono com função de uma parte do sistema
nervoso central denominado de lobo frontal, especialmente na primeira
infância, quando o cérebro apresenta plasticidade dinâmica, ou seja,
mudanças estruturais neurológicas.

Alterações de sono precoces podem estar relacionadas a sintomas
psicopatológicos futuros.

Ou seja, o sono é fundamental para nossa saúde física e mental.

 

DANIELLE HERSZENHORN ADMONI

CRM 101404 SP
@psiquiatra_danielle