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O congelamento de óvulos, inicialmente, tinha o objetivo de preservar a fertilidade de mulheres que enfrentavam doenças ou tratamentos para patologias que prejudicariam a sua produção ou qualidade, como por exemplo as pacientes em tratamento para câncer de mama.

Mas, com o passar dos anos e a mudança do perfil social da mulher em idade reprodutiva, o congelamento de óvulos se tornou uma forma de possibilitar o planejamento familiar e até de adiar a decisão sobre a maternidade de mulheres que querem se concentrar em suas carreiras, ou trilhar outros caminhos antes de tomarem a decisão de serem mães.

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Nosso relógio BIológico

Nós, mulheres, produzimos óvulos apenas como embriões, ainda no útero de nossas mães, e já nascemos com o nosso “estoque” de óvulos determinado. Ao longo da nossa vida (a partir da puberdade) gastamos estes óvulos até que eles acabem (quando entramos na menopausa).

Por isso temos a tal questão do “relógio biológico”, porque o tempo é finito e de essencial importância para o sucesso da maternidade. Mas, além do número de óvulos ir diminuindo até acabar, a qualidade deles também diminui ao longo da vida. E quando falamos em diminuição da qualidade dos óvulos estamos falando em um aumento do número de óvulos com mutações genéticas, e consequentemente embriões.

A literatura médica mostra que a partir dos 35 anos já há uma diminuição da qualidade destes óvulos a ser levada em consideração e a partir dos 40 anos o declínio da qualidade se dá de maneira ainda mais rápida e abrupta. Para dar um exemplo, uma mulher com 38 anos tem mais ou menos metade de seus óvulos com mutações genéticas e em uma mulher de 43 esse número chega a 90% dos óvulos.

Por isso, a importância de falarmos sobre a preservação da fertilidade e o congelamento dos óvulos.

Assunto este, que deveria ser abordado em consultas de rotina ginecológica para dar opção à mulher escolher o seu futuro reprodutivo.

A pergunta que mais ouço no consultório em relação a este assunto é: “Qual a idade ideal para congelar óvulos? ”

A resposta é: assim que te ocorrer esta ideia. O processo sempre será mais fácil e efetivo quanto mais jovem for a paciente, mas isso não significa que se a mulher tiver 37, 38 ou até 40 anos, não vale a pena. O que precisa ser avaliado e planejado junto com o especialista em reprodução humana é qual estratégia de tratamento a ser traçada, quantas vezes o processo precisará ser repetido e quantos óvulos deverão ser guardados. (Decisões estas que serão tomadas baseadas na reserva ovariana da paciente, idade, quantos filhos quer ter e quando).

Outra dúvida muito frequente é como é feita a preservação da fertilidade?

O processo se inicia junto com o ciclo menstrual e é feita a estimulação ovariana controlada. A paciente faz uso de medicações hormonais para que seu corpo produza o maior número de óvulos possíveis naquele ciclo. O acompanhamento é feito através de ultrassom seriado e no momento em que os óvulos estão maduros é feita a coleta deles através de uma punção no ovário. O processo todo dura em média 12 dias e é pouco ou nada doloroso.

Dependendo da idade e reserva ovariana da mulher é necessária a repetição do tratamento para que se consiga guardar um número satisfatório de óvulos. Número esse que varia de paciente para paciente.

Mas o mais importante é difundir a informação de que é possível se empoderar do seu futuro reprodutivo quando se planeja, e a ciência está aqui para auxiliar nessa jornada e permitir que escolhas sejam realizadas a seu tempo.

 

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