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Olá, queridas Mamis!

Com muita alegria recebi o convite de começar a escrever para vocês sobre saúde feminina e infantil. Como comentei numa postagem que fiz no grupo, sou fisioterapeuta pélvica há 17 anos e minha atuação é com público feminino e infantil. Além de buscar excelência na assistência, estou envolvida com chefia e pesquisa há 15 anos na Unifesp (Escola Paulista de Medicina) na Ginecologia, com isso não preciso nem comentar que poder escrever para vocês sobre saúde encheu meu coração de alegria. Imaginem só assistência e educação são minhas duas paixões. Tô feliz demais!!!

Para o meu primeiro texto fiquei aqui quebrando a cabeça sobre o que deveria escrever, e me veio ao coração o tema que estamos injetando nossas energias nesse mês, ENDOMETRIOSE.

Sim, estamos no mês amarelo, período de conscientização da endometriose. Mamis, cerca de 7 milhões de mulheres andam por aí no Brasil sofrendo sem diagnóstico, no mundo 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva sofre com isso, sendo que o período de tempo entre o início dos sintomas e o diagnóstico (no Brasil) pode levar de 5 a 7 anos. É muita gente e muito tempo de sofrimento!!!

Mas o que cargas d´agua é endometriose? Endometriose é a presença do endométrio, aquele tecido que descama todo mês e vem como menstruação, só que fora do útero. Esse endométrio fora do lugar dele vai desencadear uma cascata inflamatória, que vai se cronificando e traz muita dor. Os sintomas clássicos são: cólica menstrual intensa, dor na relação sexual, dor pélvica e, em alguns casos, infertilidade.

Vocês sabiam que uma das principais causas do absenteísmo escolar na adolescente é a cólica menstrual? Quantas de nós não já ouvimos frases como “Quando casar sara”; “Toma um remedinho que passa” ou até mesmo “Que exagero, é só uma cóliquinha”? Pois é, Mamis, esse tipo de cólica é forte, impede a mulher de fazer as atividades de vida dela, sejam de lazer, ocupacionais, sociais ou escolares. Para piorar a situação, essa dor que era exclusiva ao período menstrual, pode com o tempo surgir fora do período menstrual também. E assim a vida social, profissional e pessoal vai ladeira a baixo.

E o sexo? Ah Mamis queridas, não bastava ter cólica, essa doença gosta de se instalar lááááá atrás do útero nos ligamentos uterossacros, bem onde o pênis toca numa penetração profunda. Com o tempo a mulher começa a fazer uma associação entre sexo e dor e já entra tensa para a transa. O que doía só no fundo começa a doer para entrar também. Orgasmo? Como faz para gozar com dor? E vamos ser bem honestas, quem vai querer transar com dor? E assim a vida sexual da mulher vai pra casa do chapéu.

E a infertilidade, como fica? Muitas vezes com dor e com a vida sexual comprometida, o sonho da maternidade vai ficando cada vez mais distante. Nos dias atuais temos a medicina reprodutiva que tem ajudado muitas famílias a realizarem o sonho de um(a) filho(a), mas fazer uma fertilização in vitro (FIV) está longe de ser um passeio no parque, além dos altos custos, e os riscos obstétricos de uma FIV.

Não bastasse tudo isso, a doença tem caráter progressivo e pode comprometer outros órgãos da pelve trazendo outros sintomas intestinais e urinários.

E o diagnóstico? O que mais ouvi no meio público e privado, é o discurso de que a mulher foi ao médico, fez o ultrassom transvaginal simples e exame de sangue e não deu nada, então a hipótese diagnóstica foi descartado. FIN FAN FUN… o USG simples só vai mostrar doença, se a mesma estiver nos ovários, caso contrário, o exame virá normal. E o exame de sangue (Ca125), tem 40% de especificidade, ou seja, se você jogar uma moeda pra cima, tem mais chance de acertar (50%) no diagnóstico do que furando a veia. Ele em muitos casos é utilizado para controle de doença naquelas que tiveram alteração do exame, mas não serve para diagnóstico.

E faz como Chris???

Pela literatura o diagnóstico deveria ser cirúrgico, mas vamos combinar que operar 1/10 das mulheres além de desnecessário não é compatível com a realidade. Diante desse cenário, nós da Unifesp defendemos o diagnóstico clinico -> sintomas clássicos e um bom exame ginecológico (toque vaginal) já direciona o raciocínio diagnóstico. E exames de imagem vem para topografar a doença, ou seja, dizer se a doença está avançada ou não e aonde ela se encontra. Os exames nesse caso são: Ultrassom Transvaginal com preparo intestinal com médico que tenha experiência com endometriose, e Ressonancia Magnética com preparo intestinal, gel na vagina (nas virgens sem gel na vagina) e no reto em laboratório conceituado.

E o tratamento?

Aí essa escolha deve ser feita entre o ginecologista e a paciente. Temos diversas opções clinicas de controle dos sintomas, até o tratamento cirúrgico. E a equipe multiprofissional (fisioterapia, nutricionista, psicólogo) faz toda a diferença na resposta terapêutica.

Resumo da ópera, levanto os “red flags” para te cutucar a procurar um especialista, se tiver alguns desses sintomas

  • Cólica menstrual intensa
  • Dor na relação sexual, em especial a profunda
  • Dificuldade em engravidar
  • Familiar já diagnosticado com endometriose (irmã ou mãe)
  • Dor pélvica crônica
  • Sangramento nas fezes durante a menstruação
  • Distúrbio urinário na menstruação (sintomas de infecção de urina)

 

Mamis, se vcs acham que podem ter endometriose, questionem o gineco de vcs, insistam. Muitas, muitas mulheres mesmo, chegam ao diagnóstico por iniciativa própria. Eu mesma fui uma delas, foram 11 anos de cólicas menstruais absurdamente intensas, e fiz meu diagnóstico na pós-graduação na Unifesp. A história daquelas mulheres era a minha. Não desistam.

 

Beijos enormes em todas e até a próxima,

 

Christine Plöger Schor | Fisioterapeuta Pélvica, especialista em reabilitação do assoalho pélvico. Mestre em ciências da saúde. Doutoranda em Ginecologia.

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