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As aulas aos poucos estão voltando e o tema abordado nesse momento não poderia ser diferente: inclusão.

Quando falamos em inclusão nas escolas, estamos falando também em inclusão na vida, afinal, é na escola que as crianças desenvolvem capacidade para viver em sociedade – ou pelo menos deveriam.

Por mais que a nossa intenção em proteger nossos filhos seja imensa, é importante lembrar que guardá-los em uma bolha não é possível (e nem seria saudável). Eles vão crescer e, nós pais, não viveremos para sempre. Em algum momento eles serão soltos na sociedade, então, mais do que prepará-los para o mundo, que tal também lutar para que o mundo esteja preparado para eles?

É verdade que não são todas as escolas que, de fato, estão alinhadas com esse tipo de pensamento. E como fazer para ter certeza que que ela realmente prática a inclusão?

É preciso se atentar se a instituição tem como verdade os cinco princípios da educação inclusiva:

– toda pessoa tem o direito ao acesso à educação;

– todos podem aprender;

– os processos de aprendizagem são diferentes para cada um;

– convívio na escola é um benefício para todos;

– educação inclusiva é sinônimo de respeito.

Sabemos também que, na prática, existem diversos obstáculos que ainda precisam ser derrubados. Não são poucos os relatos de pais informando a dificuldade em matricular seus filhos quando apresentam seus laudos. Muitos colégios não se prepararam para essa realidade, embora há tempos venha se falando sobre isso.

Muitos mantenedores de escolas particulares, por exemplo, ainda consideram oneroso manter uma escola de qualidade para todos, então tentam se desvencilhar da contratação de profissionais que possam suprir a necessidade dessas crianças.

Em dados de 2018, 70% das crianças com deficiência não frequentavam escolas, de acordo com números do Unicef para a América Latina. Já a ONU mostrou que, enquanto 60% dessas
crianças completam a escola primária nos países desenvolvidos, apenas 45% (meninos) e 32% (meninas) concluem a etapa em países em desenvolvimento.

Estatísticas como estas nos deixam apavorados quanto ao futuro de nossos filhos em uma sociedade que teima em não os aceitar como iguais e isso tem muito a ver com a nosso pensamento ultrapassado sobre o capacitismo. Ainda acreditamos que as pessoas só possuem
valor se são capazes de algo e, muitas vezes, crianças especiais são classificadas como incapazes (o que é uma bobagem sem tamanho).
Enquanto isso, ainda vemos escolas apostarem em condutas ilegais como negar matrículas ou cobrar taxas adicionais em casos de estudantes com deficiência.

Está mais do que provado que escolas inclusivas fazem bem às crianças atípicas. A convivência é essencial para o desenvolvimento social delas. Mas, vamos pensar além disso, pois tenho certeza de que para as crianças típicas é ainda mais importante. Se queremos um futuro com pessoas mais preparadas, temos que permitir que eles conheçam todas as realidades, não somente aquela que os cercam.
Deixar que crianças atípicas se afastem, os isolando em escolas especializadas, talvez nos leve de volta a um tempo em que eles eram completamente marginalizados.

E não estou dizendo que as escolas especializadas não podem existir. Elas devem existir! A questão aqui é que elas devem ser uma alternativa para os pais, jamais a única opção.

Se você é pai ou mãe de uma criança neurotípica, permita que seus filhos conheçam outras verdades e os oriente de forma que possam compreender, aceitar e respeitar as diferenças.

Se você é mãe ou pai de uma criança atípica, lute para que a inclusão nas escolas continue sendo uma realidade. Não permita que tirem de nós essa conquista tão importante e significativa.

Inclusão também é um ato de amor.

Gisele Carmona
@gizacarmona
Mãe Projeto Dino
@projetodiino