barra

Não é incomum receber pacientes que relatam que receberam orientações de cortar a lactose ao procurar um profissional de saúde com intuito de perda de peso. Nesse sentido, é importante frisar que não há nenhuma evidência que justifique essa conduta, isto é, o consumo de lactose não tem qualquer influência direta sobre o nosso peso.

 

Há sim, é claro, muita gente com intolerância à lactose, ou, em grau menor, com má absorção de lactose. Os sintomas mais frequentes são gases, alteração intestinal, enjoos, etc, que tendem a melhorar com a retirada da lactose da dieta, mas não tem nenhuma relação com o peso em si. Pelo contrário, devido a má absorção, é até possível que pessoas com intolerância ganhem menos peso ao comer produtos lácteos que alguém que não tenha. Inclusive há estudos que sugerem que quem tem “persistência da lactase”, isto é, mantém níveis altos da enzima q digere a lactose, tem até tendência maior a ganho de peso.

Devemos também lembrar que há estudos epidemiológicos que relacionam maior consumo de cálcio com menor peso. Embora não sejam evidências conclusivas, há sempre o risco de, ao cortar produtos lácteos ricos em proteínas, trocar por fontes menos nutritivas e com menor poder de saciedade. Ou então, como é comum acontecer, achar que fazer essa restrição de lactose é suficiente para um resultado no peso e não se preocupar com outras mudanças, que seriam mais importantes.

 

Antes que alguém comente “mas eu tirei a lactose e emagreci”, lembre-se que casos anedóticos não mudam a evidência: se você segue à risca um plano alimentar tem grandes chances de ter um bom resultado e muitas mudanças além da lactose foram feitas; da mesma forma, é verdade que alguns produtos lácteos, como queijos , podem ser bem calóricos e sua redução pode ser interessante em alguns casos, mas novamente, nada terá a ver com a lactose em si.

 

Cálcio segue sendo um mineral essencial para nossa saúde e caso opte, por qualquer razão, por reduzir o consumo de laticínios, deve ter uma grande preocupação com avaliar outras fontes desse nutriente, de acordo com as suas necessidades (que são diferentes em diferentes fases da vida e condições de saúde).

 

Dr. Bruno Halpern

CRM-SP 124905 Endocrinologista RQE55372 Doutor em Medicina USP, vice-pres World Obesity Federation pela Am.Sul, diretor comunicação social SBEM