barra

Um estudo australiano nos fornece um dado preocupante: por lá, mais da metade das adolescentes mulheres (51,7%) e 45% dos homens já apresentaram algum comportamento de transtorno alimentar, sendo exagerar demais no exercício ou pular refeições os mais comuns (há critérios específicos para esses comportamentos, e esse “excesso de exercício” se refere a um padrão não saudável e compulsivo; e pular refeições não é uma tática de jejum intermitente, mas uma atitude reativa de culpa).

Nesse mesmo estudo, se viu um altíssimo uso de redes sociais nessa população. Porém, o dado que sugeriu que pode existir uma relação de causa e efeito foi o fato de que o comportamento de transtorno alimentar foi mais comum naquelas pessoas que utilizavam mais as redes sociais. Além disso, pessoas que postavam mais fotos de si também tinham índices de compulsão maiores.

Claro que o contrário também pode ser verdade: se tenho mais transtornos alimentares, posso usar mais as redes para buscar estratégias de emagrecimento, exercício, etc, mas mesmo que isso seja verdade, também é preocupante, visto que as redes sociais em geral não são fonte totalmente confiável de informação, principalmente nessa faixa etária, onde em geral, existe uma tendência grande de idolatrar algumas figuras e seguir cegamente o que elas fazem (tema recente de minhas postagens).

Não podemos fechar os olhos: as mídias sociais estão aí e esse é um padrão irreversível. Trazer boas informações é importante; mas combater a má informação e a importância de “digital-influencers” de crianças e adolescentes é fundamental, na maioria das vezes pessoas sem nenhum conhecimento de causa que podem causar muito mais danos que benefícios!

Em adultos, acredito que essa relação também exista e não há dúvidas que há muitos perfis de pessoas sem formação passando informações potencialmente maléficas: nesse sentido, fazer mais páginas com informações de credibilidade é imperativo, para ao menos tentar contrabalançar as más informações muitas vezes vistas!

Ref: Wilksch, The relationship between social media use and disordered eating in young adolescents. Int J Dis Eatings 2019

 

Dr. Bruno HalpernCRM-SP 124905 Endocrinologista RQE55372 Doutor em Medicina USP, vice-pres World Obesity Federation pela Am.Sul, diretor comunicação social SBEM